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ED 086

Puerto Rico: o papel que você escolhe a mesa toda executa

Cada função pega da mesa é executada por todos os jogadores, e só quem escolheu leva o bônus impresso naquele disco.

Puerto Rico: o papel que você escolhe a mesa toda executa

Os discos de papel e as duas placas de cada jogador

▼

O jogador da vez estende a mão para o disco do Capitão e três pessoas na mesa fazem a mesma careta ao mesmo tempo. Ele vai carregar café no navio e embolsar o ponto extra de quem chamou o papel, e os outros três vão carregar junto, com os barris que já estavam prontos.

Não é falha de projeto, é o motor da caixa. Em Puerto Rico o papel que você pega da mesa é executado por todos os jogadores, e a única vantagem de quem escolheu é o bônus impresso naquele disco: um doblão a menos na obra, um colono extra, um barril a mais.

A conta que a mesa faz antes de cada escolha é sempre a mesma, e é ela que dá peso ao jogo. Não basta descobrir qual papel rende mais para você. Você precisa descobrir qual papel rende mais para você do que rende para o vizinho que está prestes a fechar a partida.

Daí sai o comportamento que assusta quem chega de Catan: gente que deixa de chamar o Artesão numa rodada em que produziria três mercadorias, só porque o vizinho produziria cinco.

Puerto Rico saiu em 2002, com criação de Andreas Seyfarth, publicado pela Alea e pela Ravensburger na Alemanha e pela Rio Grande Games no mercado de língua inglesa, e passou boa parte da década seguinte no topo do ranking do BoardGameGeek.

A ficha técnica é curta: de 3 a 5 jogadores, entre 90 e 150 minutos de mesa, idade indicada de 12 anos e peso 3.2 na escala do BoardGameGeek, um degrau acima de Catan e de Splendor sem pedir o fim de semana inteiro.

É por aí que o eurogame de peso médio merece conversa. Peso 3.2 costuma afastar quem só jogou gateway, e o que a mesa encontra aqui é uma partida sem dado, sem carta virada e com regras que cabem em quinze minutos de explicação.

A Nota da Casa fecha a primeira seção, com mecânica e interação puxando o placar pra cima. Antes dela, A Mesa de Hoje mostra como duas placas pequenas, sete discos e um punhado de barris sustentam duas horas e meia de decisão.

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I  A Mesa de Hoje

Sete papéis na mesa e o bônus é só de quem chama

Cada jogador cuida de duas placas pequenas: a da ilha, com doze espaços para plantações e pedreiras, e a da cidade, com doze espaços para edifícios. No centro ficam os discos de papel, o navio de colonos, a casa de comércio e os três navios de carga.

A rodada é uma sequência de escolhas. O jogador inicial pega um disco de papel, todo mundo executa a função daquele disco na ordem do sentido horário, e só então o jogador seguinte pega o próximo.

O bônus é o único privilégio de quem chama. Quem escolhe executa a mesma ação que os outros, com uma vantagem pequena e impressa no disco: um recurso a mais, um doblão a menos, um ponto extra.

Papel não escolhido rende juro. Ao fim da rodada, cada disco parado recebe um doblão, e quem pegar aquele disco depois embolsa todas as moedas acumuladas em cima dele.

O Colono distribui terra. Todos pegam uma plantação da oferta virada para cima, e quem chamou pode trocar a plantação por uma pedreira, que barateia obra pelo resto da partida.

O Prefeito distribui gente. Os colonos chegam pelo navio e são repartidos um a um, com quem chamou levando um extra da reserva, e plantação sem colono em cima não produz nada.

O Construtor abre a obra. Cada jogador pode comprar um edifício da oferta comum, quem chamou paga um doblão a menos, e as pedreiras cortam mais do preço até o limite do nível daquele edifício.

O Artesão liga a fábrica. Cada jogador produz o que suas plantações ocupadas e seus edifícios de produção permitem, e quem chamou leva um barril extra de um tipo que já produziu.

O Comerciante abre a venda. Cada jogador pode vender uma mercadoria para a casa de comércio, que só aceita quatro barris e nunca dois do mesmo tipo, e quem chamou recebe um doblão a mais.

O Capitão obriga a carga. Todo mundo embarca o que puder nos três navios, cada navio carrega um único tipo de mercadoria, cada barril vale um ponto de vitória e quem chamou ganha um ponto de bônus. O que sobra depois da carga volta para a reserva, salvo um barril e o que couber nos armazéns da sua cidade.

O Prospector só entra na mesa de quatro ou cinco: quem chama pega um doblão da reserva e mais ninguém faz nada.

As mercadorias formam uma escada de valor. Milho não precisa de edifício para ser produzido, índigo e açúcar pedem construções baratas, e tabaco e café exigem os edifícios caros e pagam bem mais.

A partida termina quando acabam os colonos da reserva, quando acabam as fichas de ponto de vitória ou quando um jogador ocupa os doze espaços da cidade, com a rodada em curso jogada até o fim.

A contagem final é curta. Some os pontos que você embarcou, os pontos impressos nos edifícios da sua cidade e o bônus dos edifícios grandes, que só pagam se estiverem ocupados por colonos.

O sabor é esse: em Puerto Rico você não escolhe o que quer fazer, escolhe o que aguenta ver o vizinho fazendo junto.

NOTA DA CASA8.3 / 10
mecânica
 
10
componentes
 
8
rejogabilidade
 
9
custo-benefício
 
7
acessibilidade
 
6
interação
 
10
 
 

II  Para Quem Vale

O degrau depois de Catan, sem dado nenhum

Vale pra mesa que já esgotou Catan e Splendor. As regras cabem em quinze minutos de explicação, o mesmo tempo de um gateway, e a decisão que elas produzem dura a partida inteira.

Vale pra quem não suporta depender de dado. Não existe rolagem, não existe compra de carta no meio da partida, e a única variação da mesa é a ordem em que as plantações aparecem na oferta.

Vale pra grupo fixo de três a cinco pessoas. A caixa premia quem repete a mesma mesa, porque a segunda partida já é jogada contra gente que aprendeu a negar o papel de que você precisava.

Vale pra quem gosta de montar motor econômico. A ilha começa vazia e termina com plantação, colono, edifício de produção e navio, e a graça está em ver a máquina rodando sozinha na quarta rodada.

Vale pra mesa que quer disputa sem agressão direta. Ninguém rouba, ninguém ataca, ninguém bloqueia casa: você só decide qual ferramenta entregar e qual guardar por mais uma rodada.

Passe longe se a sua mesa é de duas pessoas. A caixa base começa em três, o papel escolhido perde graça quando existe um único adversário, e a variante caseira não substitui a mesa cheia.

Fora do carrinho pra quem detesta esperar cálculo alheio. O jogador analítico soma o lucro dos outros quatro antes de tocar no disco, e a rodada que devia levar cinco minutos leva doze.

Pense duas vezes se a sua mesa troca de gente toda semana. Quem já jogou dez partidas abre trinta pontos de vantagem sobre quem estreou hoje, e a caixa não traz nenhum sistema de compensação.

Não é caixa pra quem quer história. Os barris são barris, a ilha é uma placa de papelão com espaços marcados, e a única narrativa é a da sua própria máquina ficando mais eficiente a cada rodada.

O tema histórico também pesa em parte das mesas. Os colonos da edição clássica são discos marrons que representam mão de obra forçada nas plantações do Caribe colonial, e a leitura incomodou gente o bastante para a editora lançar uma versão com trabalhadores imigrantes no lugar.

Na nossa opinião: Puerto Rico resolveu o defeito mais comum do eurogame de peso, que é o tempo parado esperando o turno alheio, colocando a mesa inteira para executar o mesmo papel de uma vez, e a partida de cinco jogadores fecha em duas horas e meia com todo mundo ocupado do começo ao fim.

O que segura a nota é a barreira de entrada. A primeira partida de quem nunca sentou na ilha termina longe do pelotão, a caixa não traz handicap nenhum, e a mesa precisa combinar antes que a estreia valha como treino.

 
 

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III  Onde Comprar

Puerto Rico: qual das duas caixas entra na estante

Puerto Rico fica entre R$400 e R$700 nas lojas brasileiras, com disponibilidade que oscila: a caixa some do catálogo por meses e volta em lote pequeno, então cadastrar aviso de reposição rende mais do que esperar o preço cair.

São duas caixas com o mesmo motor na prateleira. A clássica de 2002 e a versão 1897, lançada em 2018, que troca os colonos por trabalhadores imigrantes, refaz a arte inteira e mantém as regras praticamente intactas.

Existe ainda a edição deluxe, com componentes maiores e as expansões clássicas já dentro da caixa, e ela costuma aparecer por aqui só na importação, com um frete que muda bastante a conta final.

O conteúdo é volumoso para o tamanho da caixa. Duas placas por jogador, mais de cem peças de papelão entre plantações e edifícios, os discos de colono, os barris das cinco mercadorias, os doblões e as fichas de ponto.

A primeira montagem cobra paciência. Destacar o papelão leva perto de vinte minutos, e a partir da segunda vez a preparação cai para dez, desde que as peças estejam separadas em saquinhos por tipo.

O espaço de mesa é o ponto de atenção real. Cada jogador precisa de duas placas lado a lado, e a área central com os navios e a casa de comércio pede uma mesa de pelo menos um metro e vinte na partida de cinco.

Guardar dá trabalho sem organizador. As divisórias rasas embaralham colono e barril no transporte, e um jogo de saquinhos resolve por menos de trinta reais.

Ensinar leva quinze a vinte minutos. O texto está quase todo no manual e nos nomes dos edifícios, então a caixa em português ajuda a mesa iniciante e a importada pede uma tabela de tradução na frente de cada jogador.

As expansões clássicas são duas. Novos Edifícios amplia a oferta da cidade e Os Nobres acrescenta mais uma camada de gente para alocar, e as duas entram melhor depois de umas dez partidas com a caixa fechada.

Pela régua de custo por partida, a caixa se paga rápido em grupo fixo. R$500 divididos por quarenta partidas dão doze reais e meio por noite, e o número cai a cada mesa que repete o jogo em vez de comprar novidade.

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Quiz da edição

Na Casa de Comércio de Puerto Rico, qual é o limite de barris que ela aceita comprar de um jogador?

ATrês barris, sem restrição de tipo
BQuatro barris, nunca dois do mesmo tipo
CCinco barris, um de cada mercadoria
DSeis barris, dois de cada tipo

Resultado da última edição: 0% acertaram.

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Boa mesa. Alea iacta est.

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