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Pax Pamir venceu a urna de 28/09. Sai em 01/10.
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Pit: o pregão de 1904 em que todos gritam juntos
A Parker Brothers pôs a bolsa de grãos de Chicago numa caixa de cartas: você anuncia só a quantidade e caça as 9 de um tipo.
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Cartas de mercadoria e a campainha do corner
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Seis pessoas em volta de uma mesa, cada uma com nove cartas na mão, e o jogo começa com um grito. Alguém ergue duas cartas viradas para baixo e repete "dois, dois, dois!" até outra voz responder com a mesma contagem. As duas trocam os pares sem mostrar o conteúdo. Ninguém esperou a vez, porque ela não existe.
O barulho sobe rápido. Três jogadores oferecem três cartas, um oferece uma, e duas trocas acontecem enquanto uma terceira ainda procura parceiro. A única palavra permitida na negociação é o número. Dizer "trigo" ou "cevada" em voz alta quebra a regra da mesa.
O jogo se chama Pit, e a Parker Brothers, editora de Salem, em Massachusetts, o lançou em 1904. O nome vem do pit (fosso) da Bolsa de Comércio de Chicago, o degrau rebaixado do salão onde os corretores de grãos compravam e vendiam aos berros, com a mão erguida e os dedos marcando a quantidade.
Quem vê a partida de fora pensa em confusão. Quem está dentro percebe um cálculo rápido. Cada carta que sai da sua mão é uma aposta de que o outro não precisa dela, e cada carta que chega pode ser exatamente a que faltava para outro jogador.
A rodada tem um fim seco. Quando alguém junta as nove cartas de uma mesma mercadoria, bate na campainha de metal que vem na caixa e anuncia o corner (monopólio do lote). Todo mundo para. Ele marca os pontos daquela mercadoria, e o baralho volta a ser embaralhado.
A caixa tinha um recado claro para 1904. Um ano antes, o escritor americano Frank Norris publicara o romance The Pit (O Fosso), sobre um especulador que tenta encurralar todo o trigo de Chicago. A tentativa de monopólio estava nos jornais e na literatura, e a Parker Brothers a transformou em brincadeira de sala.
Dar a quantidade e esconder a mercadoria é a regra que faz o jogo funcionar há mais de 120 anos. A Mesa de Hoje mostra o baralho, a troca cega e a conta de pontos que decide quem ganha a partida.
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I A Mesa de Hoje
I, Nove cartas por mercadoria e uma campainha
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O baralho do Pit é dividido por mercadorias agrícolas: trigo, cevada, milho, aveia, centeio, linho, feno, café, entre outras, conforme a edição. Cada mercadoria tem nove cartas iguais. O detalhe que organiza tudo: a mesa usa tantas mercadorias quantos forem os jogadores.
Com cinco pessoas, entram cinco mercadorias, quarenta e cinco cartas. Cada jogador recebe nove, embaralhadas, e ninguém começa com um lote completo. A partida existe para desfazer essa mistura.
Como a troca funciona
O jogador separa de uma a quatro cartas da mesma mercadoria e as segura viradas para baixo. Ele anuncia a quantidade em voz alta e repete até alguém aceitar a mesma quantidade. As duas mãos trocam os montes, e cada um descobre o que recebeu só depois.
Duas regras seguram a troca. As cartas oferecidas precisam ser todas iguais: ninguém pode passar duas de trigo e uma de aveia no mesmo monte. E a troca só vale entre quantidades idênticas, três por três, dois por dois.
Quem tem quatro cartas de café e quer se livrar delas enfrenta um risco curioso. Oferecer quatro avisa a mesa que você tem muito de algo, e quem também coleciona café pode fugir da troca. Oferecer duas de cada vez disfarça, mas demora.
O corner e a campainha
Quando um jogador fecha as nove cartas de uma mercadoria, ele toca a campainha e grita o corner. A rodada termina para todos. Cada mercadoria tem um valor fixo impresso na carta, e as mais disputadas valem mais.
Nas edições publicadas a partir dos anos 1920, a Parker Brothers acrescentou duas cartas extras: o Bull (touro, o otimista do mercado) e o Bear (urso, o pessimista). O touro funciona como curinga e pode ocupar o lugar de qualquer carta que falte para completar um lote. O urso é multa: quem o segura quando a rodada acaba perde pontos.
A conta que decide a partida
A partida corre em rodadas até alguém somar 500 pontos. Uma rodada leva poucos minutos, e o grupo joga seis ou oito numa noite curta.
O cálculo acontece durante a gritaria. Você decide qual mercadoria perseguir olhando o que já tem e o que a mesa parece largar. Se três pessoas oferecem cevada sem parar, a cevada está sobrando, e juntar nove dela fica mais fácil do que parece.
“A quantidade diz tudo, a mercadoria não diz nada.”
| mecânica | | 8 | | componentes | | 7 | | rejogabilidade | | 9 | | custo-benefício | | 8 | | acessibilidade | | 9 | | interação | | 10 |
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II Para Quem Vale II, Mesa cheia, grupo barulhento e quem odeia gritar
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Vale para grupo grande. O Pit aceita de três a oito jogadores, e cresce com a mesa cheia. Com três pessoas, a troca fica lenta e previsível; com sete, a sala inteira grita junto e o jogo mostra a que veio.
Vale para família com idades misturadas. A regra cabe em dois minutos: ofereça um número, troque cartas iguais, junte nove. Uma criança de oito anos que já conta até nove joga de igual para igual com o avô, porque a leitura da mesa vale mais que experiência.
Vale para quem precisa quebrar o gelo. Um grupo de colegas que mal se conhece passa a gritar números uns para os outros em trinta segundos. Ninguém fica calado no canto, porque ficar parado significa ficar com cartas erradas.
Vale para quem gosta de ler pessoas. A pessoa que troca rápido demais provavelmente está a uma carta do lote. A que oferece sempre uma carta só está escondendo o que junta. Depois de três rodadas, o grupo passa a desconfiar de quem fica sorrindo.
A origem que a caixa não conta
O Pit é atribuído a Edgar Cayce, fotógrafo de Kentucky que mais tarde ficaria famoso nos Estados Unidos como vidente. A Parker Brothers comprou o jogo e o publicou com o próprio nome na caixa, sem destaque para o autor.
O lançamento foi um sucesso imediato, e o jogo nunca saiu de catálogo desde então. Com a compra da Parker Brothers pela Hasbro, em 1991, o Pit passou a sair pela nova dona, e a editora Winning Moves ganhou depois licença para reeditá-lo.
Quando a caixa fica na prateleira
Passe longe se a mesa detesta barulho. A partida só funciona em voz alta, e um apartamento com vizinho sensível às dez da noite não combina com o Pit.
Fora do carrinho para quem joga a dois. Com dois jogadores, a troca vira conversa previsível e o grito perde a graça.
Também não serve para quem quer estratégia de longo prazo. A rodada dura minutos, o acaso da distribuição pesa, e ninguém planeja três jogadas à frente.
O gosto por negociação aberta aparece em outras caixas:
Bohnanza, confira a edição em português nas lojas nacionais, em que cada jogador planta feijão e troca cartas conversando
Sheriff of Nottingham, confira a edição em português nas lojas nacionais, com blefe na hora de declarar a mercadoria
Coup, confira a edição em português nas lojas nacionais, para grupo que gosta de mentir com cara séria
Na nossa opinião: o Pit é o jogo de negociação mais rápido de ensinar numa mesa grande, porque a única regra de fala é o número. O que segura a nota é o acaso da distribuição, que decide algumas rodadas antes da primeira troca. |
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