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Nucleum: cada peça vira trilho na Saxônia ou ação no seu tabuleiro

De 1 a 4 pessoas, até 150 minutos e uma escolha por turno sem volta. Pra quem vale, como se joga e quanto custa.

Peças de ferrovia e cubos de urânio de Nucleum sobre o mapa da Saxônia

Cada peça vira trilho ou ação, nunca as duas

▼

P eça posta no mapa nunca volta para a mão. Em Nucleum, o manual escreve a regra numa linha seca, e quase todo jogador de primeira partida passa a noite tentando contorná-la.

Nucleum, de Simone Luciani e Dávid Turczi, lançado em 2023 pela editora polonesa Board&Dice, é um euro pesado (jogo de estratégia com muito cálculo e quase nenhuma sorte) para 1 a 4 pessoas. A partida se passa numa Saxônia inventada do século XIX, movida pelo Nucleum, um reator de urânio fictício que alimenta fábricas e cidades.

O coração da caixa são as peças de ação, retângulos com dois desenhos de ação e um trecho de trilho impresso no verso. Cada jogador começa com cinco delas e compra outras num mercado de cinco peças, pagando de 0 a 2 táleres (a moeda do jogo).

No turno, a mesma peça aceita dois destinos. Colocada no topo do seu tabuleiro, ela dispara as duas ações desenhadas e volta para a sua mão na Recarga (a jogada de recolher as peças e cobrar renda). Colocada num espaço vazio de ferrovia no mapa, ela vira trilho, recebe um trabalhador seu em cima e fica ali até o fim da partida.

O trilho paga de outro jeito. Ele liga cidades, transporta carvão e urânio, leva eletricidade às construções e dispara ações quando as cores das pontas combinam com as peças vizinhas, como num dominó.

A troca dói porque o mercado é incerto. Uma peça de Desenvolver levada ao mapa some da sua mão, e a próxima peça com o mesmo desenho pode demorar muitas rodadas para aparecer no mercado, ou nem aparecer.

Na primeira partida de Nucleum, a mesa costuma construir ferrovia demais. O mapa fica bonito, a mão fica vazia, e a Recarga devolve só duas ou três peças para o tabuleiro.

A faixa Vale a Mesa? mostra qual grupo aguenta duas horas e meia de escolhas assim, e qual grupo sai da mesa com dor de cabeça.

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I  Vale a Mesa?

Duas horas e meia de cálculo

Nucleum é um jogo de tabuleiro competitivo para 1 a 4 pessoas, com partidas de 60 a 150 minutos. Em 17/10/2026, o Compara Jogos dava ao título complexidade 4,2 de 5 e nota média 8,1, votadas pelos usuários do site.

A caixa é pesada também na balança. Traz o mapa de dupla face, um tabuleiro extra, quatro tabuleiros de jogador, 50 peças de ação, 50 contratos, 24 cubos de urânio e, para cada cor, 18 trabalhadores e oito peças de tecnologia.

A dupla da quinta à noite

O casal ou a dupla de amigos que gosta de silêncio e lápis na mesa acha aqui um prato cheio. Com dois jogadores, o mapa é menor e a partida só acaba quando três das cinco condições de fim se cumprem, contra duas em mesa de três ou quatro.

A interação é indireta e generosa. Quem completa um trecho de ferrovia divide a propriedade com todos os donos de trilho daquela linha, e uma peça bem encaixada pode dar ação a um rival. Ninguém destrói nada de ninguém.

O jogador solitário também tem vez. O modo solo vem na caixa, com um adversário automático, e serve para treinar a leitura do mercado antes de levar o jogo ao grupo.

Cada jogador recebe um tabuleiro de experimento com tecnologias próprias, desbloqueadas por contratos cumpridos ou laboratórios energizados. Duas pessoas na mesma mesa nunca jogam com as mesmas oito vantagens.

Onde o reator esquenta demais

A turma da sexta que joga para rir sai frustrada. A primeira explicação passa de 40 minutos, e cada pessoa demora no turno inicial enquanto ela lê os ícones das peças.

Quem joga com gente diferente a cada noite sofre também. O jogo premia quem já conhece o mercado de peças, e o novato perde por muitos pontos para o veterano.

O tema fica longe da mesa. A história do urânio na Saxônia aparece no manual e some nos turnos, que viram cálculo de cores, táleres e renda.

A caixa inteira ocupa a mesa de jantar de seis lugares, e o tabuleiro extra precisa de espaço próprio.

“Em Nucleum, toda peça é uma promessa com dois destinos e um prazo só.”

NOTA DA CASA7.2 / 10
mecânica
 
9
componentes
 
8
rejogabilidade
 
8
custo-benefício
 
7
acessibilidade
 
4
interação
 
7
 
 

II  A Regra da Mesa

O trilho cobra pela peça

O manual de Nucleum dá três opções por turno, e o jogador escolhe uma só.

1. Jogar no tabuleiro: a peça vai para o espaço livre mais à esquerda no topo do seu tabuleiro, e você resolve uma ou as duas ações desenhadas nela. Nesse turno, você pode ainda cumprir um contrato.

2. Jogar no mapa: a peça vai para um espaço vazio de ferrovia, com um trabalhador seu em cima, e vira trilho. As ações saem das cores combinadas com as peças vizinhas, e outros jogadores podem ganhar ação junto.

3. Recarregar: você cobra renda e recolhe todas as peças do topo do seu tabuleiro. As peças do mapa ficam onde estão.

Por que a peça no mapa vale tanto

Uma conexão entre duas cidades tem até três espaços de trilho. Quando o último espaço é ocupado, a linha fica completa e passa a pertencer, em partes iguais, a todos os jogadores com trabalhador nela.

Linha completa transporta carvão do Ruhr e da Silésia, urânio e eletricidade. Sem ela, a usina não chega à fábrica, e a construção da cidade fica apagada, sem os pontos de vitória que só a energia libera.

Completar uma linha de mais de uma conexão ainda paga uma recompensa de inauguração a quem participou da obra. O mapa, então, rende pontos, ações e acesso, e a peça do tabuleiro rende só a ação do turno.

A dica escrita em caixa alta

A Board&Dice imprimiu no manual de 2023, traduzido para o português: “Se você colocar no mapa uma peça com uma ação que você não tem em qualquer outra de suas peças, você pode mais tarde ter dificuldade em obter uma nova do mercado.”

A frase do manual resume a tensão do jogo. Cada peça que desce no mapa encolhe o menu de ações da sua mão para sempre, e o mercado decide se e quando você recupera aquela opção.

A mesa esperta segura uma peça de cada ação principal na mão: Urbanizar, Industrializar, Desenvolver, Contrato e Energizar. As repetidas vão para o trilho primeiro.

As tecnologias seguem regra própria. Ao ganhar uma, o jogador desbloqueia uma tecnologia de nível igual ou menor ao da recompensa, ou troca a recompensa por pontos de vitória iguais ao nível dela.

As tecnologias azuis, de efeito imediato, valem uma vez só: o jogador resolve o efeito na hora do desbloqueio ou perde a vantagem, e vira a peça depois do uso. Quem desbloqueia as oito tecnologias primeiro aciona uma das cinco condições de fim da partida, e quem chega primeiro a 70 pontos aciona outra.

“No mapa da Saxônia, cada trilho custa uma ação para sempre.”

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III  Quanto Custa Hoje

Uma caixa cara para muitas noites

A caixa custa caro porque entrega muito material e uma partida longa. Os textos ficam nos ícones, e o Compara Jogos classifica o jogo como sem dependência de idioma, então o manual traduzido basta.

Confira a edição em português nas lojas nacionais. Em 17/10, no Compara Jogos, 16 lojas nacionais vendiam a caixa nova de Nucleum de R$ 278 a R$ 570.

Com o meio da faixa, R$ 424, a caixa jogada em 15 partidas sai a pouco menos de R$ 29 por partida. Numa mesa de quatro, cada pessoa paga perto de R$ 7 por noite.

As expansões chegam depois. No mesmo levantamento, a expansão Australia aparecia em 11 lojas com a menor oferta em R$ 148, e Patronos em dez lojas, com a menor oferta em R$ 28.

O grupo que joga uma vez por mês esgota a caixa básica devagar. Com quatro tabuleiros de experimento, cinco condições de fim e 30 peças de ação embaralhadas no mercado, a partida muda bastante de uma noite para outra.

Antes de pagar

• Se a caixa é o Nucleum básico, e não a expansão Australia ou Patronos, que dependem dele

• Se a oferta mais barata é caixa nova, porque a loja Caixinha Boardgames listava, em 17/10, um exemplar avariado

• Se o manual veio em português, porque a explicação já é longa sem tradução

Outros jogos de trilho e fábrica

Brass: Birmingham, de Gavan Brown, Matt Tolman e Martin Wallace, de 2018: canais e ferrovias na Revolução Industrial inglesa, de R$ 656 a R$ 872 em seis lojas em 17/10

Barrage, de Tommaso Battista e Simone Luciani, de 2019: represas e turbinas disputando a mesma água, de R$ 665 a R$ 900 em duas lojas em 17/10

Ticket to Ride, de Alan R. Moon, de 2004: ferrovias com cartas coloridas, para a família, de R$ 301 a R$ 601 em 27 lojas em 17/10

Quem gostou da rede de Nucleum e quer uma porta de entrada mais leve encontra em Ticket to Ride o mesmo prazer de ligar cidades, em uma hora e com regras explicadas em dez minutos.

“Sua melhor peça desce no trilho da Saxônia e some da mão para sempre, ou vai para o seu tabuleiro e volta na próxima Recarga?”

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Quiz da edição

Quantas peças de ação cada jogador recebe para começar uma partida de Nucleum?

AQuatro peças
BSeis peças
CCinco peças
DTrês peças

Resultado da última edição: 50% acertaram.

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