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No Thanks!: a ficha que compra o direito de recusar

Trinta e três cartas, nove fora do jogo às cegas e uma sequência inteira que pontua só pelo número mais baixo.

No Thanks!: a ficha que compra o direito de recusar

Trinta e três cartas e um monte de fichas

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Toda recusa custa uma ficha, e quem fica sem ficha aceita o que vier. Em No Thanks!, jogo de Thorsten Gimmler publicado em 2004 pela Amigo Spiele, o jogador que passou a partida inteira dizendo não chega ao turno decisivo com a mão vazia e engole a carta mais cara que estiver virada na mesa.

O baralho tem trinta e três cartas numeradas de 3 a 35. Não existe naipe, figura, texto de habilidade nem carta de evento, e o número impresso na frente é tudo que a carta comunica ao jogador que decide.

Antes do começo, nove cartas saem do baralho viradas para baixo e voltam para a caixa sem que ninguém veja quais foram. Sobram vinte e quatro cartas na pilha, e a partida inteira corre sem que a mesa saiba qual número deixou de existir.

As fichas são cinquenta e cinco no total. Em partida de três a cinco pessoas, cada jogador recebe onze fichas e as mantém escondidas atrás da mão, então ninguém sabe ao certo quanto fôlego de recusa o vizinho ainda tem.

O turno cabe em uma frase. A carta do topo vira para cima e o jogador da vez escolhe entre aceitar a carta com todas as fichas que estiverem em cima dela, ou pagar uma ficha, colocá-la sobre a carta e empurrar a decisão para o vizinho.

A contagem final inverte o instinto de quem nunca jogou. Cada carta na sua frente soma pontos negativos, cada ficha que sobrou desconta um ponto, e vence quem terminar com a menor pontuação da mesa.

A regra que decide a partida mora nas sequências. Cartas em ordem seguida na sua frente, como 18, 19 e 20, contam apenas o número mais baixo do grupo, então quem já pegou o 18 enxerga o 19 como carta quase gratuita.

Uma partida fecha em vinte minutos, a caixa tem o tamanho de um maço de cartas e a explicação das regras cabe num minuto de conversa. A Mesa de Hoje abre pelo cálculo de quando aceitar, mostra por que a carta 35 às vezes é a melhor compra da mesa e explica o que as nove cartas ausentes fazem com o risco.

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I  A Mesa de Hoje

I, Trinta e três cartas, cinquenta e cinco fichas e a conta que só olha o número mais baixo

Thorsten Gimmler assinou o desenho e a Amigo Spiele, editora alemã de jogos de baralho pequeno, colocou a caixa nas lojas em 2004. O título concorreu ao Spiel des Jahres (Jogo do Ano, prêmio alemão) na edição de 2005, e a indicação levou uma caixinha de trinta e três cartas para prateleiras que costumam receber caixas dez vezes maiores.

A decisão do turno é binária e some em dois segundos. Aceitar a carta significa somar o número dela à sua pontuação negativa e embolsar todas as fichas empilhadas em cima, e recusar significa gastar uma ficha para adiar o problema por uma volta da mesa.

O preço da recusa cria a tensão. Cada volta que a carta dá na mesa acrescenta uma ficha por jogador ao monte em cima dela, então a carta 30 que ninguém quis em dez recusas chega valendo dez fichas para quem aceitar.

A conta fica fácil de fazer de cabeça. Se a carta vale 30 e carrega doze fichas, aceitar custa trinta pontos negativos e devolve doze pontos de desconto, além de doze recusas futuras compradas de uma vez só.

Fichas não são dinheiro de vitória. Elas são combustível para dizer não, e o jogador que acaba com o estoque no meio da partida perde o direito de escolher: com a mão vazia, a carta virada entra obrigatoriamente na frente dele.

“A carta cara com pilha alta em cima é a compra mais barata da mesa, e a carta 5 sem ficha nenhuma é a armadilha mais cara.”

A sequência é onde a partida se ganha. Como o grupo em ordem seguida conta só o número mais baixo, quem tem o 24 na frente paga zero ponto adicional para levar o 25 e o 23, e monta uma coleção de três cartas que custa vinte e quatro pontos negativos, não setenta e dois.

A mesa lê a sua coleção o tempo todo. As cartas ficam à vista de todos, então o adversário que percebe o seu 24 exposto recusa o 25 sem pensar, mesmo pagando ficha, só para não entregar de graça a peça que fecha o seu grupo.

As nove cartas removidas mudam a aposta na sequência. O jogador que segura o 24 esperando o 25 pode estar esperando uma carta que já está de volta na caixa, e ninguém tem como confirmar a suspeita antes do fim da pilha.

Existe uma última camada de leitura, a do estoque alheio. Ficha escondida atrás da mão dá para estimar contando as recusas de cada um, e o jogador que já gastou muito vira alvo: basta recusar a carta cara mais uma volta para ele ser obrigado a aceitá-la.

Nada na mesa depende de sorte de dado ou de carta na mão. Só a ordem da pilha varia, e ela chega igual para todo mundo porque a carta virada fica exposta antes de qualquer decisão.

"O objetivo é vencer, mas o que importa é o objetivo, não a vitória."
Reiner Knizia, Dice Games Properly Explained, 1999

NOTA DA CASA8.2 / 10
mecânica
 
9
componentes
 
9
rejogabilidade
 
8
custo-benefício
 
8
acessibilidade
 
9
interação
 
7
 
 

II  Para Quem Vale

II, Cinco cadeiras, vinte minutos e um baralho que cabe no bolso da camisa

Vale para a mesa que junta gente de fora do hobby. As regras se explicam em um minuto, o primeiro turno já ensina o resto e o convidado que nunca jogou nada além de truco entende a decisão na primeira carta virada.

Vale para quem tem trinta minutos entre o jantar e a saída. A partida corre em vinte minutos com cinco pessoas, a montagem leva o tempo de separar as fichas e a caixa cabe no bolso da camisa junto do celular.

Vale para criança a partir de oito anos jogando com adulto. A conta é soma e subtração de números até 35, a criança acompanha o placar de cabeça e a decisão de aceitar ou recusar não exige leitura de texto nenhum.

Vale para a espera no restaurante ou no aeroporto. Ele funciona numa superfície do tamanho de uma bandeja e não tem peça que role para o chão.

Passe longe se a sua mesa quer tema e história. Aqui não existe ambientação, arte narrativa nem personagem: o número impresso na carta carrega o jogo inteiro.

Fora do carrinho se o grupo gosta de partida longa de estratégia. O desenho entrega uma decisão por turno e nada mais, e o jogador que procura construção de motor econômico vai achar a experiência magra depois da terceira rodada.

Fique atento à mesa que joga rápido demais. O jogo perde graça quando todos aceitam a primeira carta sem calcular, e a profundidade só aparece quando a recusa segura até a pilha de fichas ficar alta.

Três vizinhos de prateleira para quem quer decisão curta em caixa pequena:

Skull, perto de R$180 nas lojas nacionais, blefe puro com quatro discos por jogador e um leilão de quantas peças você consegue virar sem achar a caveira

Love Letter, perto de R$100 nas lojas nacionais, dezesseis cartas e uma dedução de quem segura qual personagem, com rodadas que fecham em três minutos

Sushi Go!, perto de R$130 nas lojas nacionais, seleção de cartas passadas de mão em mão com coleções que se completam ao longo de três rodadas

Na nossa opinião: No Thanks! entrega em trinta e três cartas uma decisão que continua difícil na centésima partida, e o mecanismo de pagar para adiar o problema transforma uma escolha de dois segundos em cálculo de risco com todos os números à vista.
O que segura a nota são os componentes e o alcance da experiência. As fichas de papelão fino somem embaixo da mesa, a caixa original é frágil e o jogador que procura sessão de duas horas com narrativa vai usar o título como aquecimento, nunca como prato principal.

 

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III  Onde Comprar

III, Caixa de trinta e três cartas, fichas conferidas e a faixa de preço nas lojas

No Thanks! circula no Brasil em tiragens com nome, arte de caixa e material de ficha diferentes, então confira a edição em português nas lojas nacionais antes de fechar a compra: o manual traduzido costuma aparecer citado na descrição do anúncio, e a cópia importada surge na mesma busca.

A faixa que aparece nas lojas nacionais anda entre R$70 e R$150 no conjunto lacrado. Anúncio acima de R$250 costuma ser importação com frete embutido, edição comemorativa com fichas de material melhor ou combo com outros jogos de caixa pequena somados ao preço.

O material da ficha decide o uso. As versões com ficha de papelão fino empenam com suor de mão e escorregam na mesa, enquanto as tiragens com ficha grossa ou de plástico aguentam anos de manuseio e empilham sem tombar sobre a carta.

Confira estes pontos antes de fechar qualquer cópia, principalmente usada:

Se as trinta e três cartas estão completas, uma de cada número de 3 a 35, porque carta faltando desequilibra a aposta na sequência sem ninguém perceber

Se as cinquenta e cinco fichas estão na caixa, já que a conta de onze por jogador em mesa de cinco consome o estoque inteiro

Se as cartas têm verso uniforme e sem marca, porque qualquer arranhão identificável no dorso entrega o número que vem antes da hora

Se o encarte de regras veio junto, detalhe fácil de suprir na internet, mas que a caixa usada costuma entregar vazia

Ficha de papelão empenada volta ao lugar com uma noite embaixo de um livro pesado. Carta com quina amassada continua jogável, porque nenhuma fica escondida na mão, e um protetor transparente de tamanho padrão resolve o resto.

Ensinar pede um minuto. O caminho curto é virar a primeira carta, mostrar as duas opções do turno, avisar que a menor pontuação vence e deixar a regra da sequência para o fim da primeira partida, quando alguém já tiver duas cartas em ordem na frente.

No custo por partida, uma caixa de R$100 fecha em um real por noite depois de cem partidas, e vinte minutos de duração tornam cem partidas uma conta de um ano para quem joga com a família nos fins de semana.

“Você aceita agora a carta 32 com onze fichas em cima e leva junto onze recusas para o resto da partida, ou paga mais uma ficha para empurrá-la adiante, sabendo que ela volta ainda mais cara e que o seu estoque acaba antes do fim da pilha?”

Comprar No Thanks! →
 
 

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Quiz da edição

Antes de No Thanks! começar, quantas cartas do baralho de 33 saem viradas para baixo e voltam pra caixa sem que ninguém veja o número?

ACinco cartas
BNove cartas
CDoze cartas
DTrês cartas

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Boa mesa. Alea iacta est.

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