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ED 091

Modern Art: o quadro vale o que a mesa pagou

Você leiloa a obra do artista que quer valorizar, o rival paga, e é justamente o dinheiro dele que define a cotação da tela no fim da rodada.

Modern Art: o quadro vale o que a mesa pagou

Telas e notas paradas diante da régua de cotação

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Você põe na mesa uma tela do artista Lite Metal, abre o lance, e o jogador da sua direita paga 45 mil por ela. O dinheiro sai da mão dele e entra na sua. A tela sai da sua mão e entra na coleção dele.

Parece uma troca ruim para quem vendeu. Não é. Aquela venda acabou de contar como uma das cinco aparições que o Lite Metal precisa para fechar a rodada valendo alguma coisa, e o comprador agora torce pelo mesmo artista que você.

Modern Art funciona nessa inversão: em quase todo jogo de leilão o vendedor é a banca e o dinheiro some do circuito. Aqui a banca é você. Cada nota que troca de mão continua na mesa, e o preço que o vizinho topou pagar vira argumento a favor da cotação que você quer construir.

No fim da rodada, os três artistas mais leiloados ganham cotação oficial. O primeiro colocado vale 30 mil por tela, o segundo 20 mil, o terceiro 10 mil, e os outros dois valem zero para quem estiver segurando quadro deles. Aí a banca compra as coleções de todo mundo por esse preço.

A caixa é de 1992, projeto de Reiner Knizia, e é a peça que costuma abrir qualquer conversa sobre leilão em jogo de tabuleiro. Ela nasceu na alemã Hans im Glück, passou por Mayfair, Gryphon e CMON ao longo de trinta anos, e a versão que circula hoje é a reedição da CMON com arte assinada por cinco ilustradores diferentes, um para cada artista fictício do jogo.

A ficha é curta: de 3 a 5 jogadores, 45 a 75 minutos, idade indicada de 13 anos e peso 2.6 na escala do BoardGameGeek. Quatro rodadas, um baralho de 70 telas, um punhado de dinheiro de papel e nenhuma tabela de referência para consultar.

Peso 2.6 põe a caixa num degrau acima do jogo de porta de entrada: não é o peso das regras, que cabem em oito minutos de ensino, é o peso da leitura de mesa que ela cobra do jogador.

A Mesa de Hoje começa pelos cinco formatos de leilão que a caixa carrega, e por que o mais curto deles costuma ser o que mais dói.

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I  A Mesa de Hoje

Cinco martelos diferentes na mesma caixa

Cada tela do baralho traz, além do artista, um símbolo no canto que manda no formato do leilão. É a decisão mais importante da sua mão, e ela acontece antes de qualquer lance.

Leilão aberto. Todo mundo grita valor à vontade, na ordem que quiser, até ninguém cobrir. É o formato mais rápido e o mais agitado, e o vendedor decide quando bater o martelo.

Leilão fechado. Cada jogador esconde na mão a quantia que quer pagar e todos revelam ao mesmo tempo. Empate resolve pela ordem de turno a partir do vendedor.

Leilão em rodada única. Começa pelo vizinho da esquerda do vendedor, cada um cobre ou passa uma vez só, e quem passou não volta. Passar aqui é definitivo.

Leilão de preço fixo. O vendedor anuncia um valor e cada jogador, na ordem, aceita ou recusa. Se todos recusarem, o vendedor é obrigado a comprar a própria tela por aquele preço.

Leilão duplo. A tela entra na mesa e o leilão só acontece quando alguém junta uma segunda tela do mesmo artista. Quem completar o par conduz o leilão e fica com as duas obras.

O detalhe que atravessa os cinco formatos é sempre o mesmo: quando um jogador compra de outro, o dinheiro vai para o vendedor. Quando ninguém cobre e o próprio vendedor fica com a tela, ele paga para a banca, e essa nota sai do jogo de vez.

A rodada termina no momento em que a quinta tela de um mesmo artista aparece na mesa. Essa quinta tela não é leiloada, ela só marca o fim, e quem estava com ela na mão perdeu a jogada.

Aí vem a cotação, e ela é acumulativa entre rodadas. Um artista que ficou em primeiro lugar em duas rodadas seguidas vale 30 mil na primeira e 60 mil na segunda, porque os valores dos ciclos anteriores continuam somando na régua.

O placar da rodada paga assim:

1º artista mais leiloado, 30 mil por tela

2º artista, 20 mil por tela

3º artista, 10 mil por tela

4º e 5º artistas, zero

Quem tem tela de artista fora do pódio segura papel sem valor nenhum, e isso acontece com frequência na primeira partida de qualquer grupo.

A mão também não é infinita. Você recebe cartas no começo de cada rodada, o baralho não repõe no meio, e a tela que você guardou esperando o momento certo pode virar lixo quando outro jogador fecha a rodada antes.

O jogo dura quatro rodadas e acaba na contagem de dinheiro. Coleção não vale nada no fim: as telas em mãos são vendidas para a banca ao fim de cada rodada e o baralho segue esvaziando.

O que torna a caixa dura é a matemática de dois lados. Comprar caro do rival financia o rival, e vender barato ao rival entrega uma tela que vai valorizar por conta da sua própria manobra.

"O leilão é a mais pura forma de mercado que existe: não há preço tabelado, apenas o encontro entre o que o vendedor quer e o que o comprador aguenta." Ralph Cassady Jr., Auctions and Auctioneering, 1967

NOTA DA CASA8.6 / 10
mecânica
 
9
componentes
 
7
rejogabilidade
 
8
custo-benefício
 
7
acessibilidade
 
8
interação
 
10
 
 

II  Para Quem Vale

A caixa que só acende com cinco pessoas

Vale pra quem quer entender leilão de verdade. Modern Art é a aula prática dos cinco formatos clássicos, e depois dela qualquer outro jogo de lance parece simplificado.

Vale pra mesa de cinco. Com cinco jogadores a rodada fecha rápido, o dinheiro circula mais e a leitura de intenção fica mais rica, porque cada tela leiloada muda o cálculo de quatro pessoas ao mesmo tempo.

Vale pra grupo que gosta de conversa na mesa. O leilão aberto é agitado por natureza, tem provocação, tem blefe de valor, e a partida rende história para contar depois.

Vale pra quem já jogou Medici e High Society. É a mesma família de leilão de Knizia, com uma diferença estrutural: aqui o jogador é o leiloeiro, e a economia inteira é fechada entre os participantes.

Vale pra quem tem uma hora. São quatro rodadas curtas, o ensino leva oito minutos e a caixa não pede setup elaborado.

Vale pra quem quer clássico que aguentou o tempo. A caixa é de 1992 e continua sendo a referência citada em qualquer lista de jogo econômico, três décadas e quatro editoras depois.

Passe longe se a mesa detesta cálculo mental. Não tem conta pesada, mas tem contagem constante do que os outros já compraram, e quem não acompanha a mesa fica para trás sem entender por quê.

Fora do carrinho pra mesa de três. Em três jogadores a caixa funciona com uma regra ajustada, o volume de telas por rodada cai bastante e some boa parte da disputa que faz o jogo render.

Pense duas vezes se o grupo é avesso a blefe. Você vai leiloar telas de artistas que não estão na sua coleção só para desviar a mesa, e quem joga honesto perde feio.

Pense duas vezes se alguém odeia perder investimento. Terminar a rodada com quatro telas de um artista fora do pódio é uma sensação amarga, e acontece com todo mundo pelo menos uma vez.

Não é caixa para quem quer solo. Modern Art não tem modo solitário oficial e depende inteiramente de gente disputando preço.

Na nossa opinião: Modern Art resolve o vício clássico do jogo de leilão, que é a banca invisível ditando valor, colocando o preço nas mãos de quem paga e transformando cada lance numa declaração pública de intenção. O que segura a nota é o material e o preço de entrada no Brasil. A reedição é bonita, mas o conteúdo continua sendo baralho e dinheiro de papel, e a mesma faixa de dinheiro compra caixa nacional com produção mais generosa.

 
 

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III  Onde Comprar

Importada em prateleira e nenhuma tiragem nacional

Modern Art circula no Brasil por volta de R$390 nas lojas que trabalham com importado, e a faixa realista de hoje vai de R$330 a R$470 conforme a loja, o câmbio e o frete.

Não existe edição nacional em linha. O jogo nunca ganhou tiragem brasileira em catálogo, então a prateleira oferece caixa importada ou anúncio de usado em grupo de troca.

O idioma quase não atrapalha. As telas se identificam por artista e cor, o símbolo do leilão é ícone, e a única coisa em outra língua é o manual.

Manual traduzido existe de graça. As comunidades brasileiras mantêm tradução em PDF das regras completas, e oito minutos de leitura cobrem a partida inteira.

Tem mais de uma edição rodando no mercado. A caixa Hans im Glück de 1992 é a original, a versão da Mayfair rodou anos em inglês, a reedição da Gryphon trocou a arte e a atual da CMON é a mais fácil de achar novo.

O que muda de verdade é a arte das telas. A edição CMON entregou cinco ilustradores reais para os cinco artistas fictícios, o baralho ficou muito mais bonito na mesa, e as regras seguem idênticas em todas as versões.

A preparação leva dois minutos. Separar o dinheiro inicial, montar a régua de cotação com os cinco artistas e embaralhar o baralho de telas fecha o serviço.

Ensinar leva oito minutos. Os cinco formatos de leilão, a regra da quinta tela e a cotação acumulativa cobrem tudo, e a primeira rodada já funciona como treino.

O espaço de mesa é pequeno. A régua de cotação fica no centro, cada jogador guarda a coleção na frente e o dinheiro do lado, e a caixa roda em mesa de cozinha sem apertar ninguém.

Pela régua de custo por partida, a conta fecha rápido. R$390 divididos por vinte noites dão dezenove reais e cinquenta por sessão, e uma partida de Modern Art dificilmente termina sem alguém pedir a revanche.

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Quiz da edição

No leilão de preço fixo de Modern Art, o que acontece se todos os jogadores recusarem o valor anunciado pelo vendedor?

AO vendedor é obrigado a comprar a própria tela por aquele preço
BA tela volta para o baralho e sai da rodada
CO vendedor pode anunciar um novo valor mais baixo
DA tela vira leilão aberto automaticamente

Resultado da última edição: 75% acertaram.

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