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ED 167
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MicroMacro: 16 casos num só desenho

Uma investigação cooperativa para 1 a 4 pessoas, de 15 a 45 minutos por caso, num pôster desenhado à mão. Pra quem vale, como se joga e quanto custa.

Lupa sobre um mapa de cidade desenhado em preto e branco

Uma lupa e a cidade inteira num pôster

▼

A ilustração congela um instante só. No pôster de MicroMacro, Fernando aparece duas vezes: de cartola na cabeça, numa barraca de salsichas, e sem ela, parado na porta de um bar, em outro canto da cidade.

Na casa da Lívia, numa quinta à noite, o mapa cobriu a mesa da sala: 75 por 110 centímetros de ruas, praças e gente miúda, tudo em preto e branco. A Lívia ficou de investigadora-chefe, a pessoa que lê as cartas e confere as respostas.

Ela virou a carta inicial do caso de abertura e leu para os outros três o problema da noite: Fernando tinha perdido a cartola. A carta seguinte trazia a primeira tarefa, sem resposta à vista: encontrar o bar.

Quatro cabeças desceram sobre o papel. O Bruno correu a lupa pelas esquinas do norte, a Dora seguiu a margem do rio, e o Saulo achou primeiro: o bar ficava na coordenada G2, com Fernando parado na calçada.

A Lívia virou a carta e conferiu a cena desenhada no verso. Estava certo, e o texto dava a pista seguinte: Fernando jurava ainda ter a cartola na barraca de salsichas a nordeste do parque de Netuno.

Foi ali que a mesa entendeu o jogo. O mesmo homem estava desenhado nos dois pontos, em dois momentos do dia. O pôster funciona como uma linha do tempo dobrada sobre si mesma: quem tem papel num caso aparece várias vezes, e o trajeto entre uma aparição e outra conta o que aconteceu.

A Dora pôs tampinhas de garrafa sobre as duas cenas, truque que o próprio manual sugere, e o grupo passou à carta seguinte. O caso de abertura tem quatro tarefas e terminou antes de o café esfriar.

Quem levou a cartola fica fora desta edição de propósito. É o caso que ensina o jogo, e a graça dele está em achar o culpado com o próprio dedo sobre o mapa.

Logo abaixo, a mesa que aproveita um pôster desses, a mesa que sofre com ele e a nota da casa.

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I  Vale a Mesa?

Um pôster no lugar do tabuleiro

MicroMacro: Crime City, de Johannes Sich, saiu em 2020 pela editora berlinense Edition Spielwiese e chegou ao Brasil em 2021 pela Galápagos Jogos como MicroMacro: A Cidade do Crime. O desenho é de Sich, Daniel Goll e Tobias Jochinke.

Em 03/11, a comunidade do Compara Jogos dava ao jogo nota média 7,5 e complexidade 1,1, numa escala que vai até 5. A caixa atende de 1 a 4 jogadores, e um caso dura de 15 a 45 minutos.

Em 2021, o jogo levou o Spiel des Jahres (Jogo do Ano), prêmio do júri da crítica alemã, e o Golden Geek de jogo mais inovador, prêmio votado pelos usuários do site BoardGameGeek entre os lançamentos de 2020.

Na avaliação publicada em 2021, o júri alemão resumiu a caixa assim, em tradução livre: “Um grande pôster em preto e branco e algumas cartas: MicroMacro: Crime City não precisa de mais nada para prender quem joga.”

O mesmo texto define o mapa como Wimmelbild, a ilustração alemã de multidão em que o olho caça figuras miúdas, da família de Onde Está Wally?, de Martin Handford. Sob o traço doce, os casos falam de ciúme, inveja e golpe: o júri cita um skatista esfaqueado pelas costas e um prefeito visto no cais, pouco antes de morrer, com uma mala de dinheiro.

A sala que fala ao mesmo tempo

O grupo que nunca abriu um jogo de tabuleiro entra no primeiro caso sem ler regra. Não há turno, peça, dado nem placar: todos procuram juntos, e a cena aparece para quem olhar no lugar certo primeiro.

A família com filhos a partir de 10 anos, idade que o júri alemão recomenda, ganha um jogo em que o olho rápido da criança vale tanto quanto a experiência do adulto. Os pais escolhem antes quais casos abrir, por causa dos crimes violentos sob o desenho bonito.

Quem joga sozinho também tem trabalho: a caixa aceita um investigador só, que lê as próprias cartas e confere as próprias respostas.

Onde a lupa embaça

Caso resolvido está gasto. Os 16 da caixa rendem algumas semanas de encontros, e depois deles o manual sugere pendurar o mapa na parede, como pôster da sala, e jogar um caso rápido com as visitas.

A luz manda na noite. O manual repete duas vezes que a sala precisa de lâmpada forte ou luz do dia, e boa parte das pistas some na penumbra. O mapa também pede mesa grande e espaço para rodear, com copos e cartas fora do desenho.

Com quatro pessoas, o papel fica disputado, e o jogador que gosta de comandar toma a busca para si. O próprio manual avisa do risco e pede que todos tenham a chance de achar a cena.

“Em MicroMacro, o tabuleiro inteiro é a pista, e ninguém espera a vez para olhar.”

NOTA DA CASA7.3 / 10
mecânica
 
8
componentes
 
9
rejogabilidade
 
7
custo-benefício
 
5
acessibilidade
 
9
interação
 
7
 
 

II  A Regra da Mesa

Cada resposta é uma cena do mapa

Os 16 casos chegam em 16 envelopes, com as cartas de cada caso numeradas no canto superior direito. Estrelas no manual indicam a dificuldade e a duração, e quem estreia deve jogar os cinco primeiros na ordem.

Uma pessoa assume o posto de investigador-chefe. É ela quem lê o texto das cartas para o grupo, e o manual pede que todos olhem também as ilustrações, porque texto e desenho costumam trazer informação útil.

1. Abertura: o investigador-chefe vira a carta inicial e lê o verso, com o resumo do crime e o retrato do personagem principal.

2. Tarefa: a carta de cima passa a mostrar a primeira pergunta, e ninguém a vira antes de achar a resposta no mapa.

3. Busca: todos procuram ao mesmo tempo, e a resposta precisa ser uma cena desenhada, nunca um palpite.

4. Conferência: o investigador-chefe vira a carta e compara a coordenada e a cena do verso com o que o grupo apontou.

Quando o grupo aponta errado

Se a cena não bate, a carta volta ao baralho sem leitura, e o grupo ouve apenas que precisa investigar mais. Se bate, o verso é lido para todos, a ilustração é mostrada e a carta sai do baralho, deixando a próxima tarefa por cima.

Quem conferiu a resposta não pode mais procurar aquela tarefa, porque já viu a solução. A regra abre uma exceção: se o grupo insistir numa pista falsa, o investigador-chefe pode soltar uma dica pequena.

Não existe ponto nem derrota. O caso acaba quando a última carta é resolvida, e o grupo que quiser medir a noite conta quantas vezes a carta voltou ao baralho.

Mais de uma busca na mesa

Algumas cartas mandam tirá-las do topo e deixá-las perto do baralho. A pergunta de baixo entra junto, e o grupo passa a caçar duas cenas em paralelo; em certos casos, três ou quatro perguntas ficam visíveis.

Um ícone no texto marca a informação que vai servir numa tarefa futura do mesmo caso. Quem guarda a cena marcada economiza a volta pelo mapa inteiro quando a pergunta chegar.

A versão para quem pegou o jeito

Na versão avançada, o grupo lê só a carta inicial e tenta reconstruir o caso completo sem as perguntas. Quando acha que viu tudo, responde às tarefas em sequência, sem conferir uma por uma no caminho.

O manual admite que as respostas e as perguntas seguintes funcionam como dicas, e sem elas o jogo fica bem mais difícil. Se travar, o grupo pode descobrir as perguntas já resolvidas e procurar o erro na própria teoria.

“Em MicroMacro, a resposta só vale com o dedo apontado numa cena do mapa.”

 

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III  Quanto Custa Hoje

Do PIX de R$ 167 aos R$ 250

Em 03/11, no Compara Jogos, MicroMacro: A Cidade do Crime aparecia em 18 ofertas de caixa nova em lojas nacionais, de R$ 167 a R$ 250, e numa única oferta de usado, a R$ 214.

O piso vem do pagamento à vista: a Place Games, de São Caetano do Sul, pedia R$ 179,88 no cartão e R$ 167,29 no PIX. Na Amazon, a caixa da Galápagos estava a R$ 233,99.

Pelo meio da faixa, R$ 208, divididos pelos 16 casos, cada noite de investigação fica em R$ 13. Quatro amigos que racham a caixa pagam pouco mais de R$ 3 por cabeça a cada caso.

Dentro da caixa vêm o mapa dobrado, 120 cartas de caso, 16 envelopes, a lupa com o adesivo para colar nela e o livro de regras.

Antes de levar um usado

• As 120 cartas de caso, separadas nos 16 envelopes

• O mapa inteiro, sem rasgo nas dobras nem mancha sobre as cenas

• A lupa, que resolve as figuras mais miúdas

• Nenhuma anotação a caneta nas cartas

Caso que o dono anterior já resolveu continua fechado para você. As cartas não se rasgam nem se riscam durante a partida, e o mistério só acaba para quem leu o verso.

A série tem uma segunda caixa de Johannes Sich, Full House (casa cheia), com 16 casos e mapa novo, que aparecia sem nenhuma oferta no Compara Jogos em 03/11.

Outros mistérios para a mesa

MicroMacro: A Cidade do Crime, All In (tudo ou nada), a terceira caixa da série, traz outra cidade e outros casos de Johannes Sich, com nota média 7,8 na comunidade. Em 03/11, em 14 ofertas de lojas nacionais, a caixa foi de R$ 176 a R$ 246.

Exit: Morte no Expresso do Oriente (Devir), de Inka e Markus Brand, é um enigma de fuga em caixa, com cartas que se dobram, cortam e rasgam para resolver numa noite só. Em 03/11, em oito ofertas de lojas nacionais, a caixa foi de R$ 87 a R$ 201.

Mysterium (Galápagos Jogos), de Oleksandr Nevskiy e Oleg Sidorenko, também investiga em grupo pela imagem: um jogador faz o fantasma e só se comunica com os outros por cartas ilustradas de sonho. Em 03/11, em cinco ofertas de lojas nacionais, a caixa foi de R$ 315 a R$ 372.

All In atende quem esgotou os 16 casos e quer outra cidade. O Exit é a noite mais barata e acaba numa partida, e o Mysterium aguenta até sete pessoas à mesa.

O grupo de dois a quatro que quer mistério sem manual tem em MicroMacro a caixa mais simples de abrir na sala; a turma de cinco ou mais vai melhor com o Mysterium.

Por R$ 208, você leva os 16 casos de MicroMacro, que se esgotam um a um, ou paga R$ 344 no Mysterium, que se joga de novo toda noite?

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Quiz da edição

No caso de abertura de MicroMacro, em que coordenada do mapa a mesa encontrou o bar com Fernando parado na calçada?

AD8
BF4
CG2
DH1

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