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Mansões da Loucura: o celular guarda o roteiro do terror

De 1 a 5 investigadores, uma casa revelada sala por sala e um aplicativo que sabe o final. Pra quem vale, como se joga e quanto custa.

Salas de papelão de uma mansão ao lado de um celular aceso

A casa aparece no ritmo em que a mesa abre portas

▼

O mestre do jogo conhece a história inteira antes de a mesa começar. Em 2016, a designer americana Nikki Valens tirou o mestre da mesa e entregou o roteiro a um celular.

A troca acontece em Mansões da Loucura, segunda edição de Mansions of Madness, jogo cooperativo de investigação e terror lançado pela editora americana Fantasy Flight Games. A primeira edição, de 2011, criada por Corey Konieczka, pedia que um jogador fizesse o vilão: ele lia o roteiro em segredo, montava a casa inteira antes da partida e controlava os monstros contra os amigos.

Na segunda edição, ninguém faz esse papel. Um aplicativo gratuito, instalado no celular, no tablet ou no computador, narra a cena, controla os monstros e guarda o enredo.

A mesa começa com uma única sala de papelão. Quando um investigador abre uma porta, o aplicativo mostra qual peça quadrada de cenário entra no mapa, onde ela encaixa e o que existe ali dentro: um armário, uma escrivaninha, um cadáver, um corredor escuro.

A casa cresce no ritmo das portas abertas. Nenhum jogador sabe quantos cômodos o cenário tem, onde fica a saída ou qual objeto resolve o mistério, porque o roteiro mora no aparelho e não num livreto que alguém poderia espiar.

O tema vem dos contos de H. P. Lovecraft, o escritor americano que inventou, nos anos 1920, um universo de deuses antigos e cultos escondidos em cidades da Nova Inglaterra. Cada cenário começa com um caso: um parente sumido, uma igreja abandonada, uma sociedade secreta.

Os investigadores vasculham a casa atrás de pistas, e o aplicativo decide, conforme a ordem em que as salas foram exploradas, quando o horror aparece. Duas mesas jogando o mesmo cenário podem encontrar a criatura em cômodos diferentes.

A primeira seção mostra que tipo de grupo gosta de entrar numa casa sem planta e qual sai da partida frustrado com o celular no centro da mesa.

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I  Vale a Mesa?

Uma casa que ninguém da mesa desenhou

Mansões da Loucura é um jogo cooperativo para 1 a 5 pessoas, recomendado a partir de 14 anos, com partidas que a caixa anuncia entre duas e três horas. Os cenários longos do aplicativo passam desse tempo.

A noite do suspense

A mesa de amigos que gosta de filme de terror e de série de investigação encontra aqui a sensação de assistir a um episódio por dentro. Ninguém conhece o final, nem quem explica as regras, e a surpresa vale para todos ao mesmo tempo.

Quem sempre fica de mestre em jogo de interpretação ganha uma noite de folga. O aplicativo assume a narração, lê o texto de cada sala e decide o que os monstros fazem, e o antigo mestre senta para jogar com os outros.

Casais que jogam a dois aproveitam a caixa. O jogo funciona com dois investigadores, e um jogador sozinho pode controlar dois personagens, já que o aplicativo cuida da parte do adversário.

Grupos que já leram Lovecraft reconhecem os nomes, as cidades e os cultos. Quem nunca leu entende pelo próprio texto do cenário, que apresenta cada caso como uma história curta.

Quando o celular atrapalha

O grupo que prefere mesa sem tela sente o aparelho como intruso. Toda ação importante passa pelo aplicativo, e alguém precisa tocar na tela a cada sala explorada, cada ataque e cada fim de rodada.

A mesa que gosta de reler as regras no meio da partida também perde. Muitas respostas ficam escondidas no aplicativo, e o grupo só descobre o efeito de um objeto quando o usa.

Quem quer partida curta passa longe. Montar as miniaturas, escolher o cenário e terminar o caso ocupa a noite inteira, e um cenário repetido perde força na segunda vez, porque a mesa já sabe onde está o segredo.

“Em Mansões da Loucura, quem explica as regras senta no escuro junto com os outros investigadores.”

NOTA DA CASA8.0 / 10
mecânica
 
8
componentes
 
9
rejogabilidade
 
7
custo-benefício
 
7
acessibilidade
 
8
interação
 
9
 
 

II  A Regra da Mesa

Duas ações e uma porta por vez

Cada rodada tem duas fases fixas: a dos investigadores, em que cada jogador age no seu turno, e a do Mythos (a fase do horror, controlada pelo aplicativo), em que a casa reage.

1. Fase dos investigadores: cada personagem faz 2 ações, como andar até duas casas, explorar uma sala nova, procurar num móvel, interagir com um objeto ou atacar um monstro.

2. Fase do Mythos: o aplicativo dispara um evento, move e ativa cada monstro e conta quanto o relógio da história avançou.

3. Teste de horror: todo investigador que enxerga um monstro rola dados para manter a calma, e quem falha perde sanidade.

Os dados de oito faces

Os dados da caixa têm oito faces com três símbolos: o sinal ancião, que vale um sucesso, a lupa, que vale um sucesso só se o jogador gastar uma ficha de pista, e a face vazia. Cada pista guardada vira, na hora certa, a diferença entre abrir um cofre e falhar.

Quando a cabeça cede

Cada investigador tem dois limites, vida e sanidade. Quem acumula horror igual à sanidade enlouquece e compra uma carta de loucura, lida em segredo.

A carta pode mudar o objetivo daquele jogador. Algumas pedem que ele se esconda, outras que ele saia sozinho da casa, e algumas o tornam contra o grupo sem que os outros saibam. O cooperativo vira desconfiança no meio da partida.

A vida segue a mesma lógica. Dano igual à vida deixa o investigador ferido, andando mais devagar; o segundo golpe o tira da partida, e o aplicativo avisa que a casa vai cobrar o preço do grupo inteiro logo em seguida.

O aplicativo como roteirista

O aplicativo também traz enigmas que a mesa resolve na tela: girar peças de um mecanismo, trocar fios de lugar, decifrar uma fechadura de símbolos. Quem resolve com menos movimentos gasta menos ações.

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O escritor H. P. Lovecraft resumiu o motor do gênero no ensaio O Horror Sobrenatural na Literatura, de 1927: “A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o tipo de medo mais antigo e mais forte é o medo do desconhecido.” O aplicativo de Nikki Valens transforma a frase em regra, porque o desconhecido está guardado num lugar que nenhum jogador consegue abrir.

Pra ensinar na primeira noite

Escolha o cenário de menor dificuldade do aplicativo e deixe o celular com quem lê melhor o texto. Leia a abertura do caso para todos e explique só as duas ações e o teste de horror; o resto o aplicativo ensina conforme aparece.

“O roteiro que só o celular conhece faz cada porta valer uma decisão, porque ninguém sabe o que vem depois dela.”

 

Quem banca a edição de hoje

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III  Quanto Custa Hoje

Monstros, salas e um aplicativo grátis por R$ 480

A caixa básica traz as peças quadradas de cenário, oito investigadores e uma leva de monstros em miniatura de plástico, além das cartas de objetos, feitiços, condições e loucura, os dados de oito faces e as fichas de pista. O aplicativo é gratuito e vem com os cenários da caixa básica; outros casos são vendidos à parte dentro dele.

A rejogabilidade depende dos cenários. O aplicativo sorteia parte das salas, dos objetos e dos eventos a cada partida, mas o segredo central do caso se repete, e quem jogou uma vez lembra o culpado. As expansões vendidas à parte somam peças e cenários novos.

Em 08/10, em 2 lojas nacionais, Mercado Livre e Drop1, a caixa nova da segunda edição em português foi de R$ 459,99 a R$ 499,90. O meio da faixa fica perto de R$ 480.

O aplicativo ainda guarda o progresso. A mesa pode salvar um cenário pela metade, desligar o celular e retomar na semana seguinte da sala em que parou, com os mesmos monstros e as mesmas pistas.

Antes de pagar

• Se a caixa é da segunda edição, de 2016, porque a primeira não usa o aplicativo e pede um jogador de vilão

• Se a mesa tem um celular, tablet ou computador com bateria para três horas, porque a partida não anda sem ele

• Se a caixa usada traz todas as miniaturas, porque o aplicativo chama monstros específicos pelo nome

Terror e investigação na mesma prateleira

Arkham Horror terceira edição, de Nikki Valens, de 2018: a mesma atmosfera numa cidade inteira, sem aplicativo

Eldritch Horror, de Corey Konieczka e Nikki Valens, de 2013: investigadores viajando pelo mundo atrás de um deus antigo

Descent: Lendas da Escuridão, de Kara Centell-Dunk e Nathan Hajek, de 2021: masmorra de fantasia narrada também por aplicativo

Quem já tem Eldritch Horror em casa compra Mansões da Loucura pela casa que se revela aos poucos: o tema continua, mas a escala sai do mapa-múndi e entra num corredor escuro.

A conta da noite depende da frequência do grupo. Com R$ 480 e 20 partidas, cada noite sai por cerca de R$ 24, e dividida entre 4 jogadores fica perto de R$ 6 por pessoa.

“A mesa que topa um celular no centro para jogar um filme de terror sem mestre, e leva Mansões da Loucura por R$ 480, ou o grupo que prefere cartas na mão e regras inteiras à vista, e fica com Arkham Horror.”

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Quiz da edição

Segundo a edição, quem tirou o mestre da mesa em Mansões da Loucura e entregou o roteiro ao celular, e em que ano isso aconteceu?

ACorey Konieczka, em 2011
BNikki Valens, em 2016
CFantasy Flight Games, em 2016
DH. P. Lovecraft, em 1927

Resultado da última edição: 67% acertaram.

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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