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ED 154
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A edição de hoje foi escolhida pela maioria dos leitores na votação de ontem.

Imhotep: 1 pedra por vez num barco sem dono

De 2 a 4 pessoas, 40 minutos e 5 canteiros do Egito antigo. Pra quem vale, como se joga e quanto custa.

Barcos de madeira carregados de pedras ao lado de uma pirâmide

A pedra é sua, o barco é de quem zarpar

▼

E m Imhotep, a pedra é sua e o barco é de quem zarpar. Numa mesa de quatro, a jogadora das pedras cinzas encheu três lugares do barco grande pensando na pirâmide, e o rival da esquerda, com uma pedra só a bordo, levou o barco para o mercado.

Ela queria pontos na obra e desembarcou num balcão de cartas. O rival gastou a vez inteira para mudar o destino da carga dos outros, e ainda escolheu primeiro, porque a pedra dele ocupava a proa.

A mesa toda parou para olhar a manobra. No mercado, a ordem de desembarque define quem pega carta antes: quem está na proa leva a melhor, quem está na popa fica com a sobra. As três pedras cinzas, do meio para trás, renderam as cartas que ninguém tinha escolhido.

O tabuleiro mostra o Egito antigo, com cinco canteiros de obra à beira do Nilo: a pirâmide, o templo, a câmara funerária, os obeliscos e o mercado. Cada pedra entregue num canteiro rende pontos ao dono da pedra, nunca a quem levou o barco.

Phil Walker-Harding, autor australiano, assinou o jogo, e a Kosmos, editora alemã, o publicou em 2016. No mesmo ano, Imhotep entrou na lista de indicados ao Spiel des Jahres (o prêmio alemão de jogo do ano), vencido por Codenames.

A partida dura seis rodadas, e cada rodada põe quatro barcos no cais, de tamanhos diferentes, conforme um cartão sorteado. Quando o último barco chega a um canteiro, a rodada acaba e o cais recebe quatro barcos novos.

A decisão pesa porque a pedra posta agora vira munição do vizinho na vez seguinte. Quem enche um barco com cuidado prepara a jogada de outra pessoa, e a mesa aprende rápido a deixar barcos pela metade e esperar.

A faixa Vale a Mesa? começa pelas mesas onde esse barco sem dono rende boa briga, passa pelas que vão sofrer com ele e termina na nota da casa.

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Quem banca a edição de hoje

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I  Vale a Mesa?

Uma pedra, quatro barcos

Imhotep, de Phil Walker-Harding, saiu em 2016 pela Kosmos. É um jogo de tabuleiro para 2 a 4 pessoas, com partidas de cerca de 40 minutos e idade indicada a partir de 10 anos. Cada jogador faz o papel de um construtor do Egito antigo e disputa pontos nos cinco canteiros de obra.

A mecânica central é a alocação de trabalhadores (pôr peças em espaços de ação comuns), com um desvio: o espaço de ação é o barco, e ele só anda quando alguém decide zarpar. A pedra de madeira, em quatro cores, faz o papel de trabalhador e de ponto ao mesmo tempo.

Mesas que gostam de cutucar

A mesa de quatro amigos que ri quando estraga o plano do outro encontra aqui o jogo certo. Cada barco cheio pela metade é um convite, e a pergunta de cada vez é simples: carregar mais uma pedra ou mandar o barco para onde ele dói no vizinho.

Família com filhos a partir de 10 anos aprende na primeira rodada. São quatro ações, todas visíveis no tabuleiro, e o texto das cartas do mercado é curto. Ninguém precisa decorar tabela de pontos: cada canteiro conta do seu jeito, e o jeito aparece impresso nele.

Casal também joga, e a partida muda de cara. Com duas pessoas, cada barco tem menos lugares liberados, e a disputa vira um duelo de paciência sobre quem zarpa primeiro.

Quem já se cansou de eurogame (jogo europeu de estratégia, com pontos e pouca sorte) em que cada um constrói sozinho no próprio tabuleiro acha em Imhotep o contrário: tudo acontece no centro da mesa, e toda jogada mexe na carga de alguém.

O verso de cada canteiro traz uma regra diferente de pontuação. Trocar os lados muda a partida sem caixa nova, e a mesa que joga toda semana tem combinações para meses.

Onde o barco afunda

O jogador que detesta ver o plano desfeito sofre. Em Imhotep, a pedra carregada com cuidado pode desembarcar no canteiro errado, e não há ação de defesa: só a escolha de não deixar barco tentador na água.

Grupo de cinco fica de fora, porque a caixa vem com pedras em quatro cores. E quem procura peso, com muitas camadas de planejamento, termina a partida de 40 minutos com a sensação de ter jogado leve demais.

Quem prefere jogo sem leitura de mesa também estranha. A vitória sai de prever o vizinho, e não de uma conta fechada no próprio tabuleiro.

“Em Imhotep, a sua pedra viaja no barco escolhido pelo outro.”

NOTA DA CASA7.7 / 10
mecânica
 
8
componentes
 
8
rejogabilidade
 
7
custo-benefício
 
5
acessibilidade
 
9
interação
 
9
 
 

II  A Regra da Mesa

O barco zarpa sem você

Uma vez de Imhotep pede uma ação só, entre quatro, e depois passa ao vizinho da esquerda.

1. Tirar pedras: o jogador pega três pedras da pedreira e põe no próprio trenó, a reserva pessoal, que guarda no máximo cinco.

2. Carregar o barco: o jogador tira uma pedra do trenó e põe num lugar vazio de qualquer barco no cais.

3. Zarpar: o jogador escolhe um barco com a carga mínima e o leva até um canteiro livre, mesmo sem pedra própria a bordo.

4. Jogar carta: o jogador usa uma carta azul comprada no mercado, como a que permite carregar e zarpar na mesma vez.

Cada canteiro recebe um barco por rodada. Quem zarpa por último escolhe entre os canteiros que sobraram, e às vezes não sobra o destino bom para a própria pedra.

Cinco canteiros, cinco contas

A pirâmide paga na hora. Cada pedra que desce nela ocupa o próximo lugar da obra e rende os pontos impressos naquele lugar, ao dono da pedra.

O templo paga a cada rodada. As pedras se assentam lado a lado e uma sobre a outra, e só as visíveis por cima ganham ponto quando a rodada termina.

A câmara funerária paga só no encerramento da partida. As pedras formam fileiras, e cada grupo de pedras da mesma cor encostadas rende mais quanto maior ficar.

Os obeliscos pagam por maioria, também no encerramento. Quem ergueu a coluna mais alta leva mais pontos, e o segundo leva menos.

O mercado não paga ponto direto. Cada pedra que desembarca lá dá ao dono uma carta, que pode render ponto extra num canteiro, uma estátua ou uma ação azul.

A ordem do desembarque

O barco descarrega da proa para a popa. A pedra posta na frente desce primeiro e pega o melhor lugar: o degrau mais barato da pirâmide, a primeira carta do mercado, o canto livre do templo.

A posição da pedra dentro do barco vale tanto quanto o destino. O rival da mesa de quatro sabia: pôs uma pedra só, na proa, e esperou alguém completar a carga mínima para ele zarpar.

Cada barco mostra impressa a carga mínima para sair do cais. Quem põe a pedra que completa esse mínimo entrega o barco à mesa, e o próximo jogador decide para onde ele vai.

A proteção possível é a própria escolha: pôr pedra em barco que já interessa a todos do mesmo jeito, ou guardar a pedra no trenó até o barco certo aparecer.

“Em Imhotep, quem zarpa o barco decide o destino da pedra alheia.”

 

Quem banca a edição de hoje

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III  Quanto Custa Hoje

Uma caixa sem estoque

Em 22/10, nas ofertas do Compara Jogos, Imhotep da Kosmos não tinha caixa nova nem usada à venda em loja nacional. Confira a edição em português nas lojas nacionais antes de decidir, porque a caixa entra e sai de estoque e o preço muda quando volta.

Sem faixa de preço registrada no dia, o custo por partida de Imhotep fica em aberto. A conta vale assim que a primeira loja publicar a caixa.

No mesmo dia, a página do jogo listava um único item ligado a ele: um jogo de cartas em português para colar sobre as originais, da loja Craft Coven, de Porto Alegre, a R$ 59,90 no cartão e R$ 58,10 no PIX. Ele traz só o texto traduzido, sem o jogo.

A caixa traz o tabuleiro dos cinco canteiros, os barcos de madeira, as pedras em quatro cores, os trenós dos jogadores, os cartões de rodada e as cartas do mercado. A montagem é rápida: os canteiros ficam em fila e o cais com os barcos ocupa o centro da mesa.

Para quem gostar do sistema, a Kosmos lançou em 2018 a expansão Imhotep: A New Dynasty (Uma Nova Dinastia), com novos lados para os canteiros. Ela exige a caixa base.

Antes de pagar

• Se o anúncio é do jogo base, e não da expansão ou do kit de cartas

• Se o usado traz as pedras completas nas quatro cores

• Se os barcos de madeira vêm inteiros, sem lugar quebrado

Três vitrines vizinhas

Em 22/10, no Compara Jogos, três jogos leves de disputa no centro da mesa estavam em estoque nas lojas nacionais:

Carcassonne (Devir), R$ 180 a R$ 314 em 24 ofertas novas em 22/10: peças de cidade e estrada, para 2 a 5

Azul (Galápagos Jogos), R$ 274 a R$ 385 em 29 ofertas novas em 22/10: azulejos num mosaico, para 2 a 4

Splendor (Galápagos Jogos), R$ 251 a R$ 542 em 17 ofertas novas em 22/10: gemas e cartas de comércio, para 2 a 4

Com o meio da faixa de Carcassonne, R$ 247, a caixa jogada em 20 noites sai por cerca de R$ 12 a partida; numa mesa de quatro, perto de R$ 3 por pessoa.

Quem gosta de mexer no plano do vizinho em Imhotep reencontra o gesto em Carcassonne, onde a peça posta no tabuleiro comum pode fechar a cidade de outro jogador ou dividir a estrada dele.

“Na sua próxima vez, pôr a pedra na proa do barco grande ou zarpar agora o barco pequeno rumo à pirâmide?”

Comprar Imhotep →
 
 
Quiz da edição

Em 2016, ano em que Imhotep concorreu ao Spiel des Jahres (prêmio alemão de jogo do ano), qual jogo levou o título?

ACarcassonne
BImhotep
CCodenames
DCatan

Resultado da última edição: 80% acertaram.

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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