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ED 144
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A edição de hoje foi escolhida pela maioria dos leitores.

Cidadelas: 1 nome em voz alta tira a vez de um jogador

De 2 a 8 pessoas, personagens escolhidos em segredo e um Assassino que mira no escuro. Pra quem vale, como se joga e quanto custa.

Cartas de distrito em fila, cartas de personagem viradas e uma coroa de papelão

O Assassino escolhe um nome, não um rosto

▼

Quem escolhe uma carta joga com ela. Em Cidadelas, o jogador que pegou o Mercador espera a vez com seis moedas contadas para erguer um porto, ouve o Assassino dizer “Mercador” e passa a rodada inteira parado, sem ter mostrado a carta a ninguém.

O jogo foi criado pelo designer francês Bruno Faidutti e lançado em 2000, na França como Citadelles e na Alemanha como Ohne Furcht und Adel (Sem Medo e Sem Nobreza). A edição revista de 2016 é a que a Galápagos publica no Brasil, com o nome Citadels na caixa.

Cada jogador constrói uma cidade com cartas de distrito: tavernas, mercados, catedrais, fortalezas. Cada carta custa ouro, e o ouro entra devagar, duas moedas por turno. A partida termina quando alguém completa a cidade, e vence quem somar mais pontos nos distritos erguidos.

A rodada começa com um baralho de oito personagens passando de mão em mão. Quem está com a coroa escolhe um em segredo e entrega o resto ao vizinho, que escolhe outro, e assim até o último. Cada personagem tem um poder: o Rei pega a coroa, o Mercador ganha ouro extra, o Arquiteto ergue até três distritos.

Depois, alguém chama os personagens em ordem, do número 1 ao 8. O dono da carta chamada revela, joga o turno e devolve a vez. Ninguém sabe quem está com o quê até o próprio número ser chamado.

O Assassino é o número 1 e joga antes de todos. Ele não aponta para uma pessoa. Ele diz o nome de um personagem, e quem estiver com aquela carta perde o turno sem revelar nada. O alvo pode estar na mão de qualquer um, ou fora da rodada, descartado virado no começo.

O resultado é uma mesa em que todo mundo lê todo mundo. Quem tem muito ouro sabe que o Ladrão vai mirar nele; quem precisa construir sabe que o Arquiteto é a carta óbvia, e por ser óbvia o Assassino costuma chamá-la.

A seção I mostra em que mesa esse jogo de adivinhação rende uma noite boa e em qual ele vira castigo para quem foi chamado três vezes seguidas.

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I  Vale a Mesa?

Oito cartas e uma mesa que desconfia

Cidadelas (Citadels, na caixa da Galápagos), de Bruno Faidutti, é um jogo de cartas com seleção de papéis e blefe para 2 a 8 pessoas, a partir de 10 anos. A caixa anuncia de 30 a 60 minutos, e com sete ou oito jogadores a partida chega perto de uma hora e meia.

A mesa grande que gosta de ler o outro

O grupo de seis amigos que se reúne no sábado e quer um jogo que todos entendam em dez minutos acha aqui o ponto certo. As regras cabem numa folha, e o que segura a atenção é a conversa muda de quem está com qual carta.

O jogo melhora com gente. Com cinco ou mais jogadores, quase todos os personagens saem da pilha a cada rodada, e o Assassino passa a ter alvo certo: ele sabe que a carta chamada está na mão de alguém.

Quem escolhe por último também joga. Recebe a carta que sobrou e, pelas que faltam, deduz o que os outros pegaram. Essa leitura é a parte que o grupo vai lembrar na semana seguinte.

A mesa também pode mentir de boca. Nada impede o jogador de dizer que pegou o Bispo quando está com o Rei, e a regra não pune a mentira. O Assassino escuta, pesa e chama o nome que acha mais provável, sabendo que pode estar errado.

Onde a mesa trava

O casal que joga a dois tem regra própria: cada um escolhe dois personagens por rodada. A partida funciona, mas a dedução fica rasa, porque quase todas as cartas passam pelas mesmas duas mãos.

A criança de oito anos que perde a vez duas rodadas seguidas costuma largar o jogo. O Assassino e o Ladrão não escolhem pessoa, mas o efeito na mesa é pessoal, e quem ainda não sabe blefar vira alvo fácil.

O jogador que monta estratégia longa também sofre. A cidade de quem foi chamado pelo Assassino para no lugar, e o plano de três turnos pode ruir num nome dito em voz alta.

“Em Cidadelas, o jogador perde a vez pela carta que escolheu, nunca pelo nome dele.”

NOTA DA CASA8.0 / 10
mecânica
 
8
componentes
 
7
rejogabilidade
 
9
custo-benefício
 
8
acessibilidade
 
9
interação
 
9
 
 

II  A Regra da Mesa

A coroa, o Ladrão e o distrito vermelho

Cada rodada segue sempre o mesmo caminho, e o que muda é quem está com cada carta.

1. Descarte: o dono da coroa tira uma ou mais cartas de personagem da pilha, de face para baixo, sem mostrar. Com poucos jogadores, uma delas fica de face para cima.

2. Escolha: o dono da coroa pega um personagem em segredo e passa a pilha à esquerda, até todos terem o seu.

3. Chamada: os personagens são chamados do 1 ao 8. Cada um revela, pega duas moedas ou compra duas cartas de distrito e fica com uma, usa o poder e pode construir um distrito.

Os oito da pilha básica

O Assassino (1) tira o turno de um personagem. O Ladrão (2) diz outro nome e, quando aquele personagem revela, leva todo o ouro dele. O Mago (3) troca a mão de cartas com outro jogador ou com o baralho.

O Rei (4) pega a coroa e escolhe primeiro na rodada seguinte. O Bispo (5) protege os próprios distritos. O Mercador (6) ganha uma moeda a mais. O Arquiteto (7) compra duas cartas extras e ergue até três distritos. O Senhor da Guerra (8) paga para destruir um distrito alheio.

Cor, custo e o fim da partida

Os distritos têm cinco cores: amarelo para a nobreza, azul para a religião, verde para o comércio, vermelho para os militares e roxo para os especiais. O Rei, o Bispo, o Mercador e o Senhor da Guerra recebem uma moeda por distrito da própria cor.

Na edição de 2016, a partida acaba na rodada em que alguém ergue o sétimo distrito. Cada carta vale o custo pago, quem tem as cinco cores ganha 3 pontos, quem completou primeiro ganha 4 e quem completou depois ganha 2.

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O general chinês Sun Tzu escreveu em A Arte da Guerra, por volta do século V a.C.: “Toda guerra se baseia no engano.” Faidutti tirou o exército e deixou só o engano: o Assassino nunca vê a quem mira, e o alvo nunca sabe que foi mirado até a vez dele passar.

Pra ensinar na primeira noite

Jogue a primeira rodada com os personagens abertos sobre a mesa e explique só o Assassino, o Ladrão e o Arquiteto. Na segunda rodada, vire as cartas e deixe a desconfiança fazer o resto.

“O Assassino chama a carta mais provável, e a carta mais provável costuma ser a pior escolha.”

 

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III  Quanto Custa Hoje

Seis lojas e sessenta reais de diferença

A caixa da edição revisada traz 84 cartas de distrito, 27 cartas de personagem (os oito básicos e versões alternativas para trocar na pilha), moedas de papelão, a coroa e cartões de referência.

Os personagens alternativos são a reserva de rejogabilidade. A Bruxa toma o turno de outro personagem, o Coletor de Impostos cobra de quem construiu, o Navegador troca a construção por recursos. Trocar dois ou três personagens muda a leitura da mesa inteira.

Em 11/10, no Compara Jogos, seis lojas nacionais tinham a caixa nova da Galápagos, de R$ 199,90 na Amazon a R$ 260,39 na Space Board Games, à vista. O site mostrava ainda um exemplar usado a R$ 226.

Pelo meio da faixa, R$ 230, a caixa sai por R$ 5,75 por pessoa numa mesa de oito que joga cinco noites. Com quatro jogadores e as mesmas cinco noites, a parte de cada um sobe para R$ 11,50.

A caixa é pequena, cabe numa mochila e não pede mesa grande: cada jogador precisa só do espaço para a própria fila de distritos. Para o grupo que joga em bar ou na casa de quem tem a menor sala, o formato conta tanto quanto o preço.

Antes de pagar

• Se a caixa é a edição revisada, com o nome Citadels e 27 personagens

• Se as 84 cartas de distrito estão completas, no usado, porque faltar distrito roxo muda o fim da partida

• Se o grupo junta cinco ou mais pessoas com frequência, porque é aí que o Assassino acerta

Outros jogos de papel escondido

Coup, de Rikki Tahta, de 2012: cartas viradas, blefe puro, partida de 15 minutos

Puerto Rico, de Andreas Seyfarth, de 2002: escolha de papéis aberta, sem engano, com economia mais funda

Bang!, de Emiliano Sciarra, de 2002: papéis secretos e tiros de faroeste para até sete pessoas

Quem tem Coup e quer mais partida compra Cidadelas pela cidade: o blefe continua, mas agora há algo sendo construído e alguém para derrubar.

“Pagar R$ 199,90 hoje e levar para a mesa de seis amigos de sábado, ou ficar com o Coup que já está na estante e aceitar que o blefe não vai deixar nenhuma cidade para trás.”

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Quiz da edição

No baralho de personagens de Cidadelas, qual número o Assassino ocupa, sendo o primeiro a agir na rodada?

A4
B1
C8
D2

Resultado da última edição: 100% acertaram.

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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