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ED 111

Caylus: o provost corta a fila e apaga o prédio que você já pagou

Um oficial de madeira anda pela estrada medieval e escolhe onde a produção termina, com o seu operário parado do lado errado.

Caylus: o provost corta a fila e apaga o prédio que você já pagou

O provost de madeira parado no meio da estrada

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Operário colocado é operário que trabalha. Em Caylus não: o provost anda pela estrada, para onde bem entende, e todo prédio depois dele fica sem ativar na rodada, com a moeda já paga e o trabalhador de pé lá dentro sem fazer nada.

William Attia assinou a caixa em 2005, publicada na França pela Ystari Games, e o desenho voltou reformado em Caylus 1303 pela Space Cowboys em 2019, com estrada mais curta e regra de dinheiro simplificada. O assunto é a construção do castelo de Caylus, no sul da França, sob encomenda de um rei que paga em favores.

A mesa é uma estrada de terra que os próprios jogadores pavimentam de prédio em prédio. Você constrói uma casa, alguém coloca um operário nela, e você cobra pedágio pelo serviço que a construção presta ao vizinho.

O provost é um marcador de madeira que fica em algum ponto dessa estrada e define o limite da produção do turno. Tudo que está antes dele ativa na ordem, tudo que está depois fica congelado, e é por isso que o mesmo prédio vale muito numa rodada e nada na seguinte.

Mover o provost custa dinheiro e cada jogador pode empurrá-lo até três casas para frente ou para trás na fase certa, o que transforma a posição dele em leilão silencioso de fim de rodada. Quem tem operário longe paga para o provost avançar; quem já garantiu o que queria paga para ele recuar e queimar o vizinho.

O castelo é o placar. A cada fase de construção os jogadores entregam lotes de pedra, madeira, tecido e comida, ganham pontos de prestígio e recebem favores do rei, e quem não entregou nada na fase perde pontos e leva a vergonha de ficar de fora da lista.

A caixa atende de dois a cinco jogadores, a partida original passa de duas horas com mesa cheia, e o peso na escala do BoardGameGeek fica perto de 3,8.

A Mesa de Hoje começa pela mecânica do corte: como o provost decide o que produz, por que a última moeda gasta na rodada costuma valer mais que a primeira, e como o castelo transforma recurso bruto em posição de largada.

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I  A Mesa de Hoje

I, A estrada, o corte e o pedágio que o vizinho paga

A estrada de Caylus começa com poucos prédios de madeira e cresce durante a partida inteira. Cada construção nova entra no fim da fila, o que significa que o prédio recém-pago nasce justamente na zona que o provost costuma deixar de fora.

Colocar operário custa dinheiro, e o preço sobe conforme a rodada avança na fase de colocação. O primeiro trabalhador da rodada sai barato, o quinto sai caro, e quem colocou tarde ainda corre o risco de ver a própria casa ficar atrás do corte.

Quando um jogador coloca operário num prédio alheio, o dono da construção recebe um pagamento pelo uso. A estrada vira um bairro de aluguel: você constrói pensando no serviço que quer, mas quem sustenta a construção no longo prazo é o vizinho que precisa daquele recurso.

“Uma construção só rende quando o provost está depois dela, então o valor de um prédio não está no que ele produz e sim em quantas rodadas ele fica dentro do corte.”

A ordem de ativação segue a estrada do começo ao fim. Os prédios de madeira produzem recurso bruto, os de pedra fazem conversão e ganho de dinheiro, e os prédios de prestígio no fim da fila entregam pontos diretos para quem conseguir manter a produção viva até lá.

O provost avança sozinho um número fixo de casas no fim de cada rodada, e é isso que empurra o jogo para frente. Sem a compra de movimento a partida ficaria previsível, e é a negociação de moeda no fim da rodada que muda o resultado de tudo que já foi colocado.

Mover o provost para trás é a jogada mais cruel da caixa. Você paga para ele recuar duas casas, sacrifica a própria produção mais distante, e derruba junto o plano de dois vizinhos que colocaram operário nos prédios de prestígio do fim da estrada.

O castelo trabalha em três seções, cada uma com preço e recompensa próprios, e o lote de entrega exige recursos diferentes entre si. Não adianta acumular pedra: sem tecido e sem comida o lote não fecha, e o jogador com o depósito desequilibrado assiste a fase de construção passar sem entregar nada.

O favor do rei é a moeda escondida do desenho. Cada entrega no castelo dá direito a escolher uma trilha de benefício, e a mesma trilha escolhida duas vezes sobe de nível, o que premia quem entrega pouco e sempre em vez de quem entrega muito uma vez só.

O erro clássico da primeira partida é construir demais e entregar de menos. A estrada cheia de casas próprias parece patrimônio, mas o placar mede pedra no castelo e favor do rei, e quem passou a partida inteira pavimentando termina com o bolso cheio e a lista de entregas vazia.

"Não é da benevolência do açougueiro que esperamos o nosso jantar, mas da consideração que ele tem pelo próprio interesse."
Adam Smith, A Riqueza das Nações, 1776

NOTA DA CASA8.2 / 10
mecânica
 
9
componentes
 
8
rejogabilidade
 
9
custo-benefício
 
7
acessibilidade
 
5
interação
 
9
 
 

II  Para Quem Vale

II, Duas horas de mesa, zero sorte e briga de vizinho

Vale pra mesa que gosta de plano longo com interferência real. A produção depende do corte do provost, e o corte depende de dinheiro alheio, então nenhum planejamento sobrevive intacto até o fim da rodada.

Vale pra quem cansou de worker placement em que colocar já garante o efeito. Aqui a colocação é só a metade da jogada, e a outra metade acontece depois, na negociação de quem paga para mover o marcador de madeira.

Vale também pra quem quer a versão curta. Caylus 1303 encolhe a estrada, simplifica o dinheiro e fecha em cerca de uma hora, mantendo o corte do provost como centro da decisão, e serve de porta de entrada para o desenho original.

Passe longe se o seu grupo detesta ser cortado. A sensação de pagar operário e ver a produção morrer por decisão de outro jogador é o motor do jogo, e mesa que leva bloqueio para o lado pessoal vai brigar de verdade na rodada quatro.

Fora do carrinho se você procura partida curta com cinco pessoas. A caixa de 2005 com mesa cheia passa de duas horas com facilidade, e a análise de cada colocação estica o turno de quem gosta de calcular.

Pense duas vezes se o grupo joga em dois. A partida de dois funciona com regra própria e é boa, mas o leilão do provost perde a pressão que vem de três ou quatro bolsos disputando o mesmo corte.

Três alternativas para quem quer worker placement com bloqueio duro:

Agricola, perto de R$400 nas lojas nacionais, fazenda apertada em que cada boca para alimentar transforma espaço bloqueado em fome real no fim da rodada

Tzolk'in, perto de R$350 nas lojas nacionais, engrenagens que giram e mudam o valor do espaço ocupado conforme o operário fica mais tempo parado nele

Grand Austria Hotel, perto de R$300 nas lojas nacionais, dados sorteados que definem as ações disponíveis e um bloqueio que aperta a mesa em cada rodada

Na nossa opinião: Caylus entrega o worker placement mais afiado da geração dele, porque o provost obriga cada jogador a pagar duas vezes pela mesma jogada, primeiro para colocar e depois para garantir que a colocação vale.
O que segura a nota é o custo de entrada. A partida original é longa, o manual pede uma sessão de aprendizado honesta, e a primeira partida de qualquer mesa termina com pelo menos um jogador entendendo o corte tarde demais.

 

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III  Onde Comprar

III, Reedições, cubos de madeira e o provost conferido

Caylus existe hoje em duas linhas distintas, e a compra pede atenção ao ano na caixa. A original da Ystari Games, de 2005, traz a estrada longa, o dinheiro completo e a partida de duas horas; Caylus 1303, da Space Cowboys, de 2019, é uma reforma do mesmo desenho com estrada curta e ritmo mais rápido. Confira a edição em português nas lojas nacionais, porque as duas linhas entram e saem de catálogo em ritmos diferentes.

A faixa que aparece nas lojas nacionais anda entre R$280 e R$450 na caixa lacrada, dependendo da linha e do estoque. Promoção de feira derruba para perto de R$220, e anúncio de marketplace pedindo acima de R$700 costuma ser cópia antiga fora de catálogo com preço de colecionador, sem urgência nenhuma da sua parte.

As duas linhas jogam partidas parecidas com temperatura diferente. A original recompensa quem gosta de planejar cinco rodadas à frente e aceita ser cortado no meio; a versão 2019 corta a gordura, encurta a estrada e devolve a decisão do provost numa mesa que fecha em uma hora.

Confira estes pontos antes de fechar qualquer cópia, principalmente usada:

Se o marcador do provost e o do bailio estão os dois na caixa, porque são peças únicas e sem elas a regra do corte não roda

Se os cubos de recurso batem com a tabela do manual, já que pedra, madeira, tecido, comida e ouro têm quantidades diferentes entre si

Se as construções de prestígio e de monumento estão completas, porque são as fichas de maior valor e as primeiras a sumir numa cópia usada

Qual linha aparece na foto do anúncio, porque vendedor desatento anuncia a arte de 2019 e envia a caixa de 2005, que joga bem mais longo

Cubo de madeira faltando tem conserto barato em loja de material didático, e a substituição não estraga nada porque a cor é o único dado que importa. Ficha de prédio faltando é problema sério, porque cada construção tem função própria na estrada e improvisar com papel quebra a leitura da fila que o provost corta.

Ensinar pede quarenta minutos honestos na versão original. O caminho curto é rodar uma rodada aberta com todas as mãos à vista, mover o provost de propósito para queimar uma produção e só então valer de verdade.

No custo por partida, uma caixa de R$350 fecha em sete reais por noite depois de cinquenta partidas, e cinquenta partidas são plausíveis num título que muda de forma conforme a estrada cresce, desde que o grupo aceite reservar duas horas de mesa.

“Você paga para o provost avançar duas casas e salva o próprio operário no prédio de prestígio do fim da estrada gastando o dinheiro que ia virar lote no castelo, ou guarda a moeda, aceita perder a produção da rodada e entrega pedra e tecido para pegar o favor do rei?”

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Em Caylus, até quantas casas um jogador pode empurrar o provost de uma vez, para frente ou para trás, na fase certa?

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CTrês casas
DCinco casas

Resultado da última edição: 67% acertaram.

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Boa mesa. Alea iacta est.

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