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Jogos de Valor  Jogos de Valor ED 077

Bohnanza: a mão que você não pode reordenar

A mão chega numa ordem que você não pode mexer, e vencer é convencer a mesa a levar o feijão que sobra.

Bohnanza: a mão que você não pode reordenar

As cartas de feijão abertas na ordem fixa da mão

O jogador da vez vira duas cartas do topo do baralho no meio da mesa e pergunta em voz alta quem quer o feijão de cacau. Três vozes respondem juntas. Uma promete devolver dois vermelhos, outra oferece a primeira carta que puxar na rodada seguinte, a terceira diz que leva de graça e sorri como quem faz um favor. O dono do turno calcula quanto ainda aguenta segurar aquele cacau e entrega para o vizinho que menos cresce com o presente.

A pergunta muda de dono a cada turno, e é ela que dá a Bohnanza o gosto de feira barulhenta atrás dos desenhos de feijão de cara engraçada. Você joga a partida inteira com uma sequência que o baralho montou e a mesa aproveita, e a única sobra de vontade própria está em convencer alguém a levar o que atrapalha.

Bohnanza saiu em 1997, criado por Uwe Rosenberg, e chega ao Brasil pela PaperGames. A caixa pegou o gesto mais automático de qualquer jogador de cartas, organizar a mão, e transformou a proibição de organizar no motor da partida inteira.

O tema é uma plantação. Cada um cuida de dois campos, planta uma variedade por campo e colhe quando o monte já vale moeda, com o baralho decidindo a ordem em que os problemas chegam até a mesa.

Roda de 3 a 5 jogadores, fecha em torno de 45 minutos, marca peso 1.7 na escala do BoardGameGeek e custa entre R$100 e R$150 nas lojas brasileiras. A explicação sai em cinco minutos com o baralho na mão, e a estreia quase sempre termina do mesmo jeito: um jogador com os dois campos entupidos de feijão comum, olhando o vizinho contar moedas.

É por aí que a caixa merece atenção de verdade. Um jogo leve que castiga o desatento vale mais espaço de estante do que um festival de regras que ninguém tira do armário, e a pergunta que interessa é se a fila fixa cobra caro ou cobra na hora certa. A Nota da Casa fecha a primeira seção, com interação e custo puxando o placar para cima. Antes dela, A Mesa de Hoje mostra como um baralho de feijões obriga a mesa inteira a negociar em voz alta.

Continue lendo!

 
 

I  A Mesa de Hoje

Onze feijões, e a ordem da sua mão vem do baralho

Sua mão é um leque que chega pronto e nunca mais se mexe. As cartas entram na ordem em que saíram do baralho, ficam nessa ordem até serem jogadas, e a regra proíbe trocar duas de lugar mesmo quando ninguém está olhando.

Você enxerga tudo que tem na mão, e é aí que dói. Dá pra ver o feijão bom esperando no fim do leque enquanto três feijões inúteis bloqueiam a fila.

Todo turno começa igual: a primeira carta da mão precisa ser plantada, sem escolha. A segunda é opcional, e é o único ajuste fino que a regra entrega antes de a mesa entrar na conversa.

Plantar significa colocar a carta num dos seus dois campos, e campo só aceita um tipo de feijão. Se o campo está cheio de vermelho e a sua vez manda plantar um preto, um dos dois campos vai ser arrancado na hora.

Colher é onde a moeda aparece. Cada carta traz uma régua impressa dizendo quantos feijões daquele tipo valem uma moeda, duas, três ou quatro, e a régua é sempre mais dura com o feijão comum.

O baralho é desequilibrado de propósito. O feijão azul tem vinte cartas e paga pouco por unidade; o feijão de cacau tem quatro cartas na caixa inteira e já vira moeda com duas plantadas.

A moeda não vem em ficha. Você vira a própria carta colhida de costas e empilha na frente, então cada moeda que entra no seu caixa é uma carta que sai do jogo pra sempre.

A regra ainda te impede de colher só pra desafogar. Campo com uma carta só não pode ser arrancado enquanto outro campo seu tiver duas ou mais, e plantar errado custa o monte que estava quase pronto.

E aqui mora o corte da caixa: colher cedo demais queima o feijão raro, colher tarde demais entope os dois campos. A partida inteira é decidir quando arrancar um monte que ainda ia crescer.

A negociação começa quando você vira as duas cartas do topo do baralho no meio da mesa, abertas pra todo mundo. Elas não são suas: são o assunto da rodada.

Aquelas duas cartas precisam sair da mesa antes do seu turno acabar, plantadas por você ou entregues a alguém. É aí que o jogo vira feira: você oferece, promete, dá de graça, e o vizinho pechincha em voz alta.

Só o jogador da vez negocia. Os outros podem oferecer o que quiserem da própria mão, mas nenhum acordo fecha sem passar por quem está no turno, o que transforma cada rodada num leilão informal com um comprador só.

Todo feijão recebido numa troca é plantado na hora, sem passar pela mão. Por causa da regra, o presente generoso do vizinho quase sempre é uma armadilha: aceitar um feijão que você não tem onde receber obriga você a arrancar um campo inteiro.

Doar também é jogada. Empurrar de graça uma carta que atrapalha alguém não custa nada pra você e destrói o campo alheio, e a mesa aprende rápido a desconfiar de gentileza.

A compra fecha o turno e é o que mantém a ordem cruel. Você puxa três cartas e elas entram no fim da mão, atrás de tudo que já estava lá, então o feijão que você recebeu hoje só chega na sua frente daqui a várias rodadas.

Existe uma válvula de escape, e ela é cara. Por três moedas você compra um terceiro campo, o que dá fôlego pelo resto da partida e custa quase um quinto do placar de um jogador mediano.

A partida acaba quando o baralho é embaralhado e gasto pela terceira vez. Não tem rodada final anunciada com pompa: alguém puxa a última carta, a mesa colhe o que estiver plantado e a contagem começa.

Vence quem juntou mais moedas, e o placar típico fica entre quinze e vinte. Uma carta virada de diferença decide a mesa, o que faz cada troca boba do começo pesar lá no fim.

O sabor é esse: em Bohnanza ninguém perde por plantar pouco, perde quem ficou com a mão entupida de feijão que não convenceu ninguém a levar.

NOTA DA CASA8.3 / 10
mecânica
 
9
componentes
 
6
rejogabilidade
 
8
custo-benefício
 
9
acessibilidade
 
8
interação
 
10
 
 

II  Para Quem Vale

Quem gosta de barganha compra; quem joga calado pula

Vale pra mesa que gosta de conversar. O jogo só anda com gente falando, e a melhor jogada da partida costuma ser uma frase bem colocada, não uma carta.

Vale pra quem quer negociação sem tabuleiro. A caixa cabe na mochila, sobe em qualquer mesa de bar e a regra inteira sai em cinco minutos com o baralho na mão.

Vale pra grupo fixo que já se conhece. Quanto mais a mesa entende quem precisa de quê, mais afiada fica a barganha, e a partida melhora com a repetição em vez de gastar.

Vale pra quem acha peso leve raso demais. São 1.7 na régua do BoardGameGeek, e mesmo assim decidir quando arrancar um campo de sete feijões é uma escolha que dói de verdade.

Passe longe se a sua mesa joga calada. Sem negociação, Bohnanza vira uma sequência de plantios burocráticos e a caixa some da prateleira depois da segunda partida.

Fora do carrinho pra quem detesta atrito social. Você vai negar favor, empurrar carta ruim e ouvir cobrança no turno seguinte, e existe gente que leva a chantagem pro lado pessoal.

E quem precisa de arte e componente vai sofrer: são cartas com desenho de feijão de cara engraçada, sem miniatura, sem tabuleiro e sem nada pra fotografar na mesa.

Na nossa opinião: Bohnanza pegou o jogo de colecionar conjunto, gênero que costuma deixar cada um em silêncio no próprio jardim, e amarrou a mão numa ordem fixa que obriga todo mundo a falar.

Cada turno é a mesma pergunta curta, quem vai levar esse feijão que não serve pra mim. Peso 1.7, de 3 a 5 jogadores e preço BR na faixa de entrada, é a caixa que ensina em 45 minutos que a carta certa na hora errada vale menos que um bom argumento.

 
 

III  Onde Comprar

Bohnanza: uma feira inteira em 154 cartas de feijão

Bohnanza vive na prateleira de entrada das lojas brasileiras, geralmente entre R$100 e R$150 na edição em português da PaperGames, com as 154 cartas de feijão, os onze tipos de plantação e as cartas de terceiro campo dentro de uma caixa pequena.

O material é modesto de propósito e resolve tudo sozinho. Não existe moeda, ficha nem tabuleiro: o dinheiro é a própria carta colhida virada de costas, e a régua de valor vem impressa em cada feijão, então ninguém precisa abrir manual no meio da partida.

Pela régua de custo por partida, é das caixas mais baratas que existem. Cabe no bolso da mochila, abre mesa em bar e em churrasco, aguenta cinco pessoas sem esticar o relógio e ainda serve de aquecimento antes do jogo pesado.

Comprar Bohnanza →
 
 
🧠 Quiz da edição

Em Bohnanza, o que acontece com o feijão que você recebe numa troca?

AEntra no fim da sua mão, atrás de tudo que já estava lá
BVai plantado na hora, sem passar pela sua mão
CFica reservado ao lado do campo até o seu próximo turno
DVira moeda direto, virado de costas na sua frente

Resultado da última edição: 67% acertaram.

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